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” Agora eu fiquei um sujeito importante. Já tem um monte de gente me ligando até para pedir emprego” Carlos Guerra, Empresário

Ao lançar o marco regulatório do pré-sal, no começo de setembro, o presidente Lula citou o nome da estatal que seria criada para gerenciar e fiscalizar a exploração do pré-sal, a Petrosal. Foi o bastante para fazer do engenheiro mecânico Carlos Guerra uma celebridade. “Agora sou importante”, disse ele à DINHEIRO. Lula batizou publicamente a empresa do pré-sal com um nome cujo proprietário é um pequeno empresário que faz serviços de manutenção de sondas, vende peças à Petrobras e presta atendimento às indústrias de refino de sal em Mossoró, cidade do oeste do Rio Grande do Norte que tem pouco mais de 200 mil habitantes. O governo só foi informado da coincidência nove dias depois do anúncio por meio da imprensa. O episódio criou um impasse. Guerra admite ceder a marca para a União, desde que sejam pagos os custos de fechamento de sua empresa e a criação de uma nova marca. O governo não desdenha a oferta, mas não está disposto a pagar caro. No meio, o grupo Princesa Marcas e Patentes, que tenta fechar e costurar um acordo. Pelos cálculos do grupo Princesa, são necessários, no mínimo, R$ 6 mil para se patentear um nome no Brasil e o processo geralmente se arrasta por dois ou três anos. No entanto, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, já adiantou que o governo não pagará para ter direito ao nome. “Quem sabe, a empresa patrioticamente abre mão da sigla”, declarou o ministro.

Instalada em um galpão de 420 metros quadrados próximo ao centro de Mossoró, a empresa tem 17 funcionários e um faturamento bruto de R$ 100 mil. Ela surgiu logo depois de uma empresa terceirizada da Petrobras, onde Guerra trabalhou por mais de 20 anos, deixar Mossoró. Sem emprego, mas com um bom dinheiro no bolso, o engenheiro decidiu continuar prestando serviços já conhecidos por ele. Contando com a colaboração da mulher, Marlúcia, irmão e cunhado, ele abriu a Petrosal.

Com a obrigação de montar toda a estrutura da empresa, o engenheiro de 51 anos não perdeu tempo com a definição do nome do empreendimento. “Eu trabalhava com petróleo e sal, logo seria petro mais sal”, explica. Em 2006, Guerra foi convencido a inscrever a marca Petrosal no Inpi por representantes do grupo Princesa Marcas e Patentes. “Achei importante assegurar que só eu poderia usar a marca”, explica ele. Guerra diz que não está em busca de fortuna, mas gostou da notoriedade. “Estou orgulhoso, o governo copiou minha ideia”, diz ele, contando que não teve mais sossego. “Todos os veículos de comunicação me procuraram. Os amigos telefonam para comentar o assunto ou até para pedir emprego.” Independentemente do resultado do impasse com a Petro-Sal estatal, Guerra acredita que sua empresa pode crescer um pouco mais depois dos 15 minutos de fama. Quem deve aproveitar a onda é a caçula dos três filhos do engenheiro, Maria Izabel. Com 19 anos, ela foi a única que resolveu seguir os passos do pai e estuda engenharia. Nem ela nem o pai resolveram que outro nome dar à empresa. “A gente arruma rápido. Até porque nada foi decidido”, dizem os dois.