29/06/2005 - 7:00
O modesto prédio administrativo de três andares, sem elevadores, próximo ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, é a imagem do modelo ?low coast, low fare? (baixo custo, baixa tarifa) adotado pela Gol Transportes Aéreos. É de lá que o americano Richard Lark pilota o caixa da companhia que, há exato um ano, estreou nas bolsas de São Paulo e Nova York. O sucesso do sistema que combina serviço de bordo espartano com passagem a preço mais acessível é provado por números ? quase 28% de participação de mercado conquistados em apenas quatro anos ? e aprovado pelos investidores. Desde que passou a ser negociada nos pregões da Bovespa, a ação preferencial da Gol registrou uma valorização de aproximadamente 40%, apesar da significativa queda em sua cotação em janeiro. E os ADRs, títulos negociados em Nova York, subiram quase 75% nesse período.
Mesmo com a crise generalizada no setor aéreo e a alta continuada das cotações internacionais do petróleo, os papéis da Gol chamam a atenção do mercado. Andreia Alcalde, analista do banco Brascan, está entre os que recomendam sua compra. ?Projetamos um preço alvo de R$ 53,31 para a ação?, diz. Isso significa, pelo valor atual do papel, uma valorização potencial de 49,7%.
A boa performance nas bolsas é combustível para o crescimento da companhia. Um quarto dos investimentos que a Gol está fazendo na compra de aviões (são 34 hoje, serão 40 até o fim do ano e 70 em 2009) são financiados com os US$ 250 milhões que entraram em seus cofres com a venda de ações. ?Toda empresa de capital intensivo que queira ter flexibilidade financeira precisa do mercado de capitais?, acredita Lark, vice-presidente financeiro da companhia. Revolucionária no Brasil, a constatação é natural para um executivo formado no coração do capitalismo americano. Lark, que chegou há 10 anos ao País para montar o escritório brasileiro do Morgan Stanley, é um homem de Wall Street. Depois de cumprir sua missão para o banco e passar uma temporada de três anos na Americanas.com, ele assumiu a direção financeira da Gol em um momento de metas ambiciosas. A aerolinha planeja aumentar sua fatia de mercado para algo entre 32% e 35% ainda em 2005. Se conseguir, terminará o ano como incômoda desafiante da TAM, que lidera o setor com 42,3% do mercado. ![]()