15/05/2011 - 8:26
O presidente americano, Barack Obama, alertou neste domingo para o risco de uma volta à recessão devido ao impasse sobre o teto da dívida americana.
Os Estados Unidos devem atingir o teto da dívida fixada pelo Congresso, de 14,29 trilhões de dólares, na segunda-feira, criando uma crise de liquidez que coloca o crédito do país em risco.
“Se os investidores do mundo pensarem que a plena confiança e o crédito dos Estados Unidos não estão sendo resguardados, ou se eles pensarem que nós podemos não cumprir nossos pagamentos, isso poderá abalar todo o nosso sistema financeiro”, afirmou o presidente na rede de televisão CBS.
“Nós poderíamos entrar na pior recessão que já houve. A pior crise financeira pela qual já passamos”, acrescentou Obama.
O republicano presidente da Câmara, John Boehner, afirmou ao programa da CBS “Face The Nation” que está pronto para fechar um acordo e que acredita “ser necessário um aumento no teto da dívida”.
No entanto, acrescentou que deverá ser feito de uma maneira que “aborde a longo prazo os desafios fiscais da América”, e que é papel da administração cuidar dos problemas econômicos do país.
O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, advertiu no sábado que se o Congresso americano não elevar o limite da dívida, os Estados Unidos não terão condições de cumprir as obrigações financeiras com “funcionários, cidadãos, empresários e investidores”.
“Isto seria um acontecimento sem precedentes na história dos EUA”, e teria consequências “amplas e catastróficas na economia do país, reduzindo significativamente o crescimento econômico e aumentando o desemprego”, explicou.
Os investidores mundiais ficariam mais reticentes em conceder empréstimos aos Estados Unidos e, quem o fizesse, pediria taxas de juros mais elevadas, o que aumentaria os custos de financiamento do governo, empresas e casas. “Mesmo uma mudança de curta duração causaria danos irreversíveis à economia americana”.
Alcançar o limite da dívida não terá um impacto imediato sobre as finanças públicas, porque o Tesouro tem uma margem de aproximadamente 10 semanas de manobras em ajustes de curto prazo, além de um salto inesperado nas receitas no mês de abril.
Na quinta-feira, o presidente do Banco Central Americano, Ben Bernanke, também advertiu para o perigo. “É uma proposta arriscada não elevar o limite da dívida em um prazo razoável”.
O custo de manter o atual limite da dívida acarretará “no mínimo (…) num aumento das taxas de juros, que de fato vão agravar o nosso déficit”, afirmou Ben Bernanke.
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