09/02/2015 - 17:17
O presidente americano, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que ainda estuda se vai enviar ou não armas letais à Ucrânia para ajudar o país na luta contra os separatistas pró-russos, mas advertiu, em coletiva conjunta com a chanceler alemã, Angela Merkel, na Casa Branca, que a Rússia não pode redesenhar as fronteiras da Europa à força.
A líder da maior economia europeia, por sua vez, reconheceu as diferenças entre Estados Unidos e Alemanha, mas afirmou que os dois países devem colaborar em temas como a crise Rússia-Ucrânia e a luta antiterrorista.
Obama, que sofre pressões internas para fornecer armas ao Exército ucraniano para reforçar a frágil defesa militar de Kiev, disse que ainda estuda opções.
A possibilidade de enviar armamento letal “é uma dessas opções que está sendo estudada. Mas ainda não tomei uma decisão a respeito”, afirmou Obama.
Merkel e vários países europeus consideram que enviar mais armas não equilibraria a força militar entre a Ucrânia e os militantes pró-russos que, segundo eles, são apoiados pela Rússia e que só ajudaria a intensificar o conflito, que já deixou 5.400 mortos em menos de um ano.
A chanceler alemã tenta negociar um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, após se somar às negociações sobre a crise em Moscou na semana passada, em colaboração com o presidente francês, François Hollande.
Uma cúpula de líderes de Ucrânia, Alemanha, França e Rússia está prevista para esta semana, depois que Merkel concluir sia visita a Washington.
Enquanto isso, Obama advertiu que o Ocidente não pode ficar de braços cruzados e simplesmente deixar que as fronteiras da Europa sejam redesenhadas pela força das armas.
“Continuamos buscando uma solução diplomática” para a crise na Ucrânia, acrescentou o presidente, comemorando “que os esforços diplomáticos continuem esta semana”.
Merkel, por sua vez, considerou que abandonar o princípio da integridade territorial, no centro da crise na Ucrânia, representa uma ameaça “à paz da Europa”.
“Se renunciarmos ao princípio da integridade territorial não estaremos em condições de manter a ordem e a paz na Europa”, alertou Merkel na coletiva de imprensa.
A chanceler alemã reconheceu que Estados Unidos e Alemanha têm diferenças sobre os métodos de inteligência utilizados pelos Estados Unidos, mas afirmou que os dois países devem colaborar na luta antiterrorista.
“No que diz respeito à NSA [Agência Nacional de Segurança], há pontos de vista divergentes sobre alguns temas. No entanto, levando em conta a dimensão da ameaça terrorista, somos conscientes da necessidade de colaborar estreitamente” com os Estados Unidos, declarou a chefe do governo alemão.
No ano passado, revelações de operações de espionagem e monitoramento realizadas pelos Estados Unidos, inclusive alegações de que a Agência Nacional de Segurança teria grampeado o telefone celular, estremeceram os laços entre Washington e Berlim, e colocaram a líder alemã sob intensa pressão doméstica.
Apesar disso, Alemanha e Estados Unidos continuaram a cooperar amplamente em assuntos de política externa e inteligência e Merkel prometeu que isto não vai mudar.
“A aliança entre os Estados Unidos e a Europa continuará de pé, continuará sólida, mesmo que nem sempre concordemos em certos assuntos”, disse a jornalistas reunidos na Casa Branca.
“Mas esta parceria, seja sobre Ucrânia e Rússia, seja no combate ao terrorismo no cenário internacional, seja em outras questões, é uma parceria que resistiu à prova do tempo”, afirmou.
“Esta parceria transatlântica, para a Alemanha e a Europa, é indispensável. E continuará assim”, disse Merkel.
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