Todas as atenções do presidente americano, Barack Obama, estarão concentradas sobre a América Latina a partir desta sexta-feira, quando ele inicia sua primeira viagem pela região, começando pelo Brasil, seguindo pelo Chile e concluindo com uma breve visita a El Salvador.

No topo de suas prioridades, a influência americana na região – onde novos atores como a China têm ganhado terreno – e a busca de novos mercados para os Estados Unidos, que ainda lutam para superar a pior crise econômica em décadas.

A viagem terá também grande carga simbólica, por incluir três países que, para Washington, são paradigmas de experiências democráticas bem sucedidas, que podem servir de exemplo para outras regiões com conflitos políticos, como o Oriente Médio, segundo altos funcionários do governo.

Obama admite que a América Latina mudou: “está avançando bem de maneira geral” e “possui uma dinâmica própria”, indicou na quinta-feira à imprensa Arturo Valenzuela, encarregado diplomático para a região.

Obama afirmou nesta sexta-feira que o crescimento impressionante da América Latina representa uma oportunidade para abrir mercados e impulsionar a criação de empregos nos Estados Unidos, que ainda se recuperam de uma grave crise econômica.

“O crescimento impressionante que vimos nos últimos anos na América Latina é bom para as pessoas deste continente, e é bom para nós”, disse Obama, em um editorial publicado nesta sexta-feira pelo jornal USA Today.

“Enquanto estes mercados crescem, cresce também sua demanda por bens e serviços – bens e serviços que eu, como presidente, quero assegurar que sejam produzidos nos Estados Unidos”, declarou Obama.

A maior prioridade dos Estados Unidos é criar empregos, em meio a um alto desemprego e uma recuperação econômica muito lenta – “uma das razões” da viagem do presidente à América Latina.

“Nossas exportações para a região estão crescendo mais rápido que as exportações para o resto do mundo, e logo sustentarão mais de dois milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos”, destacou Obama.

O presidente, altamente popular entre os latino-americanos, conversará com os governantes dos três países sobre questões comerciais, energéticas, ambientais e de segurança, com destaques específicos em cada etapa da viagem.

Em sua entrevista, Obama também apontou as vantagens dos três países que visitará: o Brasil, que possui uma “classe média crescente” e uma renda per capita que aumenta 7% anualmente; o Chile, cujo crescimento econômico em 2011 deve superar os 5% do ano passado; e El Salvador, que apresenta “grande potencial de crescimento futuro”.

No Brasil, Obama terá “uma ótima oportunidade para começar uma nova relação” com a presidente Dilma Rousseff, que chegou ao poder em janeiro, indicou Dan Restrepo, assessor do presidente para a América Latina.

A ideia é deixar para trás os choques no cenário internacional entre Washington e Brasília que marcaram o governo de Luís Inácio Lula da Silva, que bateu de frente com os americanos principalmente no campo comercial.

O Chile, por sua vez, será apontado como modelo de governo bem sucedido na região por Obama, que discursará em Santiago sobre as bases da nova relação EUA-América Latina.

Em El Salvador, aonde chegará na terça-feira, o presidente americano deve falar sobre temas como o tráfico de drogas e a imigração.

Barack Obama, que viajará acompanhado da família e de uma ampla delegação oficial, que inclui sua equipe econômica, desembarca na manhã de sábado na capital brasileira, onde terá uma reunião bilateral com Dilma, seguida de um almoço.

Durante a tarde, ele participará de um encontro com empresários dos dois países.

No domingo, Obama voa para o Rio de Janeiro, onde visitará primeiro o Cristo Redentor. Segundo Restrepo, o presidente terá “várias oportunidades para interagir com o povo brasileiro”, incluindo um discurso público.

Entretanto, seu anunciado discurso a céu aberto na Cinelândia, no centro do Rio, foi cancelado, e será substituído por uma fala para uma plateia menor, dentro do Teatro Municipal.

Especula-se que Obama pretende visitar também uma das favelas incluídas no programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), mas este plano ainda não foi confirmado pela Casa Branca.

Na segunda-feira, Obama se reunirá na capital chilena com o presidente Sebastián Piñera. Depois, fará um discurso sobre a região e participará de um jantar oferecido por Piñera.

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