28/03/2011 - 5:56
Os Estados Unidos não podem repetir os mesmos erros da guerra do Iraque tentando derrubar o líder líbio, Muammar Kadhafi, mas precisam agir quando seus “valores são ameaçados”, afirmou nesta segunda-feira o presidente americano, Barack Obama.
“Se tentarmos derrubar Kadhafi pela força, nossa coalizão vai se estilhaçar. Nós teríamos de mobilizar tropas terrestres americanas, ou arriscar matar muitos civis pelo ar”, disse o presidente em discurso à nação.
“Os perigos que nossos homens e mulheres em uniformes teriam de enfrentar seriam muito maiores. Assim como os custos, e nossa fatia de responsabilidade sobre o que viria depois.”
“Nós tomamos esse caminho no Iraque (…) mas a mudança de regime lá levou oito anos, milhares de vidas de americanos e iraquianos, e aproximadamente 1 trilhão de dólares. Isso não é algo que podemos nos dar ao luxo de repetir na Líbia.”
Mas os Estados Unidos devem agir quando “seus interesses e valores” são ameaçados, destacou Obama para justificar a intervenção militar na Líbia.
“Conscientes dos riscos e custos de uma ação militar, somos naturalmente reticentes ao uso da força para resolver os problemas mundiais, mas quando nossos interesses e nossos valores são ameaçados, temos a responsabilidade de agir”.
“É isto o que ocorre na Líbia”, disse Obama na Casa Branca, assinalando que “há gerações os Estados Unidos têm um papel único na segurança mundial e na defesa da liberdade”.
O presidente lembrou que “em apenas um mês os Estados Unidos trabalharam com seus sócios internacionais para mobilizar uma ampla coalizão, executar uma determinação internacional (da ONU) de proteção de civis, deter um Exército em avanço, prevenir um massacre e estabelecer uma zona de exclusão aérea com nossos aliados e sócios”.
Obama destacou que não teve outra escolha senão agir com seus sócios internacionais após Muammar Kadhafi rejeitar a proposta para deter sua “campanha de mortes” e suas forças avançarem em direção a cidade de Benghazi, feudo da oposição ao regime líbio.
“Kadhafi disse que não teria piedade com seu próprio povo. Os comparou a ratos e ameaçou ir de porta em porta para se vingar. Me neguei a deixar que isto ocorresse” na Líbia.
O presidente americano advertiu que uma transição democrática será uma “tarefa difícil”, e que a responsabilidade deste desafio caberá principalmente ao “povo líbio”.
“A transição que leve a um governo legítimo e que responda às expectativas do povo líbio será uma tarefa difícil. Os Estados Unidos assumirão sua parte da responsabilidade, mas é um trabalho que caberá principalmente à comunidade internacional e sobretudo ao povo líbio”.
“Mesmo após a partida de Kadhafi, quarenta anos de tirania deixaram a Líbia fraturada e sem instituições civis fortes”.
No mesmo discurso, Obama confirmou que a Otan assumirá o comando de todas as operações da coalizão internacional na Líbia nesta quarta-feira, e que os militares americanos poderão reduzir sua participação no conflito.
“Neste esforço, os Estados Unidos desempenharão um papel de apoio em inteligência, assistência logística, busca e resgate, e no bloqueio das comunicações do regime” do coronel Kadhafi.
“Nesta transição para uma coalizão da Otan mais ampla serão reduzidos significativamente – para nossos militares e os contribuintes americanos – os riscos e os custos desta operação”, destacou Obama.
“Esta transferência de Estados Unidos à Otan ocorrerá na quarta-feira”.
ag/lb/LR