04/02/2011 - 5:12
O presidente americano, Barack Obama, pediu nesta sexta-feira a Hosni Mubarak que escute as manifestações que pedem sua renúncia imediata no Egito, em uma insinuação de que deve deixar o poder mais cedo do que o previsto.
“Ele tem que escutar o que as pessoas estão expressando e fazer um julgamento sobre o caminho a seguir de maneira ordenada, significativa e séria”, disse Obama em uma declaração.
Nesta sexta-feira, centenas de milhares de pessoas se concentraram em um novo dia de protestos batizado de “Dia da Partida”, convocado para forçar a renúncia de Mubarak, que continuava fingindo não ouvir as reivindicações de dentro e fora de seu país.
Obama, que no início da semana pediu que comece “agora” uma transição pacífica e ordenada no Egito, evitou pedir de maneira explícita a saída do líder egípcio, a quem descreveu como um “patriota orgulhoso”.
“Acredito que o presidente Mubarak se preocupa com seu país. Ele é orgulhoso, mas também é um patriota”, afirmou durante uma coletiva de imprensa com o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper.
Obama também indicou que já estão ocorrendo “algumas discussões” sobre os detalhes de uma transição política no Egito, e estimou como inaceitável a violência contra os manifestantes, os jornalistas e os ativistas de direitos humanos.
O presidente se pronunciou após informações antecipadas pela imprensa de que os Estados Unidos estão trabalhando em planos para afastar Mubarak do poder, deixando nas mãos dos egípcios o futuro político de seu país.
“Continuamos sendo muito claros de que nos opomos à violência como uma resposta a esta crise”, disse Obama.
O primeiro vislumbre do que a diplomacia americana está fazendo nesta crise foi revelado pelo jornal The New York Times em um artigo publicado na noite de quinta-feira.
A informação fala de um plano para obrigar Mubarak a renunciar e entregar o poder a um governo de transição, que seria dirigido pelo vice-presidente Omar Suleimán, ex-chefe dos serviços de inteligência.
A Casa Branca argumentou sobre alguns aspectos do informe, mas não o negou categoricamente, e por sua resposta pode-se deduzir que os Estados Unidos estudam diferentes opções para forçar Mubarak a sair e assim acalmar a situação no Cairo.
col/jm/ma