25/01/2011 - 7:17
O presidente Barack Obama adverte, em trechos antecipados pela Casa Branca de seu discurso sobre o Estado da União, nesta terça-feira, que os americanos enfrentam um momento “Sputnik” na crise nacional, que eles podem superar unidos, ou não.
A citação faz uma analogia com o choque causado, em 1957, na sociedade americana, pelo lançamento do satélite soviético Sputnik
“Não tínhamos idéia de como os venceríamos na corrida à Lua. A ciência ainda não estava lá. A Nasa sequer existia”, afirmará Obama.
“Este é o momento Sputnik da nossa geração”, dirá o presidente americano.
Graças aos investimentos decorrentes da corrida ao espaço, “nós não apenas ultrapassamos os soviéticos. Lançamos uma onda de inovação que criou novas indústrias e milhões de novos empregos”, lembrará Obama.
Ainda de acordo com trechos antecipados do pronunciamento, Obama diz que os Estados Unidos se arriscam a perder no mercado global para competidores em rápido desenvolvimento, pelo que faz um apelo a políticos rivais a abandonarem guerras partidárias, em prol de um impulso unificado para um futuro melhor.
Barack Obama pedirá, assim, nesta terça-feira a cooperação de republicanos e democratas, num exercício de “responsabilidade compartilhada” de governo.
Desde as eleições legislativas de metade do mandato, em novembro, “os americanos decidiram que a responsabilidade de governar será compartilhada”, segundo Obama. O pleito permitiu aos republicanos conquistar a Câmara de Representantes e reforçar sua minoria no Senado.
“Novas leis não serão aprovadas senão com o apoio de democratas e republicanos. Progrediremos juntos, ou não”, dirá o presidente, destacando que “as dificuldades às quais somos confrontados são maiores que as divergências partidárias, a política”.
“O risco atual (…) é o de saber se novos empregos e novas indústrias vão se enraizar em nosso país ou noutro lugar”, dirá Obama, segundo a Casa Branca.
De acordo com a mesma fonte, o presidente vai renovar o apelo à mobilização dos Estados Unidos em favor da pesquisa e do ensino, como motores de um crescimento futuro.
Durante o discurso ritual sobre o estado da União, a partir das 21H00 (02H00 de quarta-feira, meia-noite de Brasília) no Capitólio, em Washington, Obama vai também fazer um apelo à luta contra os déficits. Em particular, através da prorrogação, por mais dois anos, do congelamento previsto de três anos dos gastos do governo.
O pronunciamento de Obama “será visionário”, afirmou nesta terça-feira uma de suas assessoras mais próximas, Valerie Jarrett. “Refletirá o espírito de nosso país, que acredita na inovação e no empreendimento”, declarou ela ao canal MSNBC.
As questões econômicas estão na primeira fila no debate entre Obama e seus adversários, no momento em que os Estados Unidos penam para reconquistar os cerca de oito milhões de postos de trabalho perdidos durante a recessão de 2008-2009. O desemprego de 9,4% representa um ponto negro na administração democrata.
No início de dezembro, Obama disse desejar que seu país se mobilize em defesa da pesquisa e do ensino, chaves, segundo ele, de sua futura prosperidade, como o foi a corrida espacial há 50 anos.
Os recentes apelos de Obama à unidade encontram um eco positivo junto aos americanos, em particular entre os cruciais eleitores independentes; pesquisas recentes mostram melhoria sensível na confiança dos cidadãos em seu presidente, acima de 50%.
tq/ma/sd