12/04/2010 - 5:09
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que espera “ações específicas e concretas” como resultado da inédita Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington.
Os líderes de cerca de 50 países e organizações internacionais reúnem-se no centro de Washington, uma cidade submetida a fortes medidas de segurança para a cúpula, considerada excepcional por conta de sua amplitude.
Obama recebeu e cumprimentou pessoalmente os líderes mundiais que chegaram para um jantar de trabalho a portas fechadas que abrirá formalmente a reunião, depois de vários encontros bilaterais realizados durante o dia.
Mais cedo, o presidente disse a jornalistas na Casa Branca que esperava “ações específicas, concretas”, como resultado do evento.
Obama revelou que as diversas consultas bilaterais desenvolvidas mais cedo com outros líderes foram “impressionantes”. “Penso que é um sinal de quanto todos estão preocupados diante da possibilidade do tráfico nuclear”.
“Acredito que ao final disto vamos ver ações muito específicas e concretas de cada nação para que o mundo seja um pouco mais seguro”.
No domingo, Obama afirmou que “organizações como Al-Qaeda estão em processo de obter uma arma nuclear, uma arma de destruição em massa que não terão receio de utilizar”.
A Ucrânia deu o primeiro passo ao anunciar pouco antes do início oficial da cúpula que pretende “livrar-se de todas as reservas de urânio altamente enriquecido antes da próxima reunião sobre segurança nuclear, em 2012”, disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.
Gibbs fez o anúncio depois de um encontro bilateral entre Obama e o presidente ucraniano, Viktor Ianukovitch.
O objetivo de Obama é que todos os países com capacidade ou equipamento nuclear se comprometam a detectar e colocar sob controle suas reservas de material, com a colaboração da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em um prazo de quatro anos.
Obama também propõe que seja criado um banco internacional de combustível nuclear para a reciclagem dos materiais mais perigosos, como o urânio enriquecido.
Mas um tema paralelo que também suscita bastante interesse é o Irã, país suspeito – apesar de suas reiteradas negativas – de querer possuir armas nucleares disfarçadas de programa civil.
Obama e o presidente chinês, Hu Jintao, acertaram hoje que suas delegações trabalharão juntas nas Nações Unidas para obter uma resolução com sanções contra o Irã.
“Estão preparados para trabalhar conosco”, disse Jeff Bader, principal assessor de Obama para a Ásia Oriental no Conselho de Segurança Nacional. “Os dois presidentes concordaram que as duas delegações devem trabalhar juntas sobre as sanções”.
Pouco antes, o presidente chinês afirmou, no fim de seu encontro bilateral com Obama, que é preciso manter o diálogo com o Irã.
“China e Estados Unidos compartilham a mesma meta geral sobre o assunto nuclear do Irã”, disse o porta-voz da delegação chinesa para a cúpula nuclear em Washington, Ma Zhaoxu.
A reunião de Washington ocorre depois da assinatura na semana passada do novo acordo Start de redução de armas estratégicas entre Estados Unidos e Rússia, e da apresentação de uma nova doutrina nuclear de Washington que restringe o uso de armas nucleares.
Apesar do êxito diplomático do acordo Start, Obama deverá convencer agora os líderes que participam da cúpula em Washington a exercerem liderança em um tema muito menos prioritário para a maioria deles.
A ausência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pode complicar a cúpula.
Obama, no entanto, parece estar em boa sintonia com o russo Dimitri Medvedev, depois de um período inicial de frieza.
Medvedev foi o último a chegar em Washington, a tempo de participar do jantar de trabalho.
Do lado latino-americano, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, são três os líderes que participam da cúpula: a argentina Cristina Kirchner, o chileno Sebastián Piñera e o mexicano Felipe Calderón.
“A América Latina é o único continente do mundo sem armas nucleares, é um excelente exemplo para o resto do mundo”, disse Piñera nesta segunda-feira em um discurso feito no centro de análise de Washington.
O chefe do governo espanhol e atual presidente da União Europeia, José Luis Rodríguez Zapatero, também participa da reunião.
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