O presidente Barack Obama recebeu nesta terça-feira líderes democratas e republicanos do Congresso, pela primeira vez desde a vitória de seus adversários nas legislativas, esperando abrir uma “relação nova e produtiva” com a oposição, apesar de numerosos assuntos de discórdia.

As eleições de 2 de novembro redistribuíram as cartas do poder: o Congresso que entrará em funções no início de janeiro compreenderá uma Câmara de Representantes já dominada pelos republicanos. Obama deverá, também, contar com uma oposição reforçada no Senado, apesar de seus aliados democratas estarem em maioria nesta Casa.

Os republicanos afirmam que os eleitores infligiram severa reprovação à política “matadora de empregos” de Obama. Este voltou a colocar em prática a retórica da campanha, nas últimas semanas, esperando que seus adversários e ele possam chegar a posições comuns sobre questões importantes para o país, em particular a economia e a Defesa.

“Espero que a reunião marque um primeiro passo em direção a uma relação nova e produtiva (com os republicanos)”, disse Obama antes do encontro, dispondo-se a ouvir “as ideias de (seus) colegas republicanos e democratas, sobre os meios de dar prosseguimento ao crescimento econômico e incluir pessoas no mercado de trabalho”.

Dirigentes republicanos na Câmara e no Senado, respectivamente John Boehner e Mitch McConnell, afirmaram por sua vez nesta terça-feira que “temos uma verdadeira oportunidade de nos afastar das más prioridades dos dois últimos anos, e de trabalhar juntos em propostas de bom senso que construirão o salto da economia que desejamos todos”.

A reunião começou às 10H30 (13H30 de Brasília). Obama está aconhado do vice-presidente Joe Biden, do secretário do Tesouro, Tim Geithner e do diretor do orçamento, Jack Lew, devendo falar à imprensa ainda nesta tarde.

As discussões realizadas são, em particular, consagradas à possibilidade de chegar a um consenso entre os dois partidos durante a última sessão do atual Congresso, no final de dezembro.

O Congresso deve decidir, em breve, sobre a prorrogação ou não de um alívio na cobrança de impostos das classes médias e mais ricas, que expira no final do ano.

Os parlamentares eleitos e o presidente também evocam o destino do tratado de desarmamento nuclear START com a Rússia, na expectativa de uma ratificação pelo Senado, assim como a extensão de benefícios-desemprego, um projeto de lei sobre finanças e a abolição da lei proibindo a soldados americanos declararem abertamente sua homossexualidade.

O tratado START parece estar num impasse desde que os republicanos, com o número dois da minoria Jon Kyl à frente, emitiram reservas sobre a ratificação, devido à falta de garantias, segundo eles, sobre a modernização do arsenal nuclear americano.

Após a derrota de 2 de novembro, o presidente havia dito que não queria passar os dois últimos anos que o separam das próximas eleições presidenciais a “brigar” com os republicanos.

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