UM GRANDE PROGRAMA DE OBRAS E investimentos públicos para evitar o aumento do desemprego e investimentos pesados no desenvolvimento de novas fontes de energia no longo prazo para reativar a economia e reduzir a dependência do país do petróleo importado. Essa é a essência da chamada Obamanomics, o plano do presidente eleito Barack Obama para reaquecer a economia e enfrentar a recessão que ele vai herdar quando assumir o governo em janeiro. Obama também prometeu manter a redução de impostos promovida no atual governo para 95% dos contribuintes e aumentar os restantes. De um modo geral, a classe média não terá redução em relação ao nível atual, mas o novo presidente prometeu não aumentar as alíquotas quando o corte atual expirar, em dois anos, e tem anunciado a decisão como sendo um alívio para o bolso da classe média. Para quem ganha mais de US$ 250 mil ao ano, haverá um aumento da carga tributária. Na primeira entrevista coletiva sobre a economia, três dias depois de eleito, Obama pediu a aprovação “o quanto antes” do pacote de estímulo fiscal de US$ 61 bilhões que já foi aprovado na Câmara no ano passado, mas ficou parado no Senado e enfrenta resistências na Casa Branca. O projeto inclui recursos para estradas e pontes, ajuda para os Estados e ampliação do orçamento do governo para ajuda alimentação e seguro-desemprego. Obama também prometeu ajudar com recursos federais as grandes montadoras americanas – General Motors, Ford e Chrysler – em grande dificuldade com a queda drástica de vendas neste ano e definidas por ele como “a espinha dorsal da indústria americana”. Ele quer dobrar ajuda já prometida pelo governo, de US$ 25 bilhões, para que essas empresas investam em modernização de equipamentos e pesquisas de carros mais econômicos e ecológicos. No encontro que teve na segunda-feira com o presidente George W. Bush, Obama pressionou para que os recursos sejam liberados imediatamente, com a inclusão dessas empresas como beneficiárias de parte dos US$ 700 bilhões do pacote aprovado em setembro. Bush tentou jogar duro e condicionou a ajuda à aprovação pelo Congresso de maioria democrata de um acordo de livre comércio com a Colômbia. A situação mais dramática é da GM, e há temores de que a empresa não aguente os prejuízos até o início do próximo governo.

Numa entrevista dias antes da eleição, Obama citou o alívio para a classe média, que nos últimos anos foi penalizada com aumento do custo de vida, queda do valor da poupança investida no mercado financeiro e dos imóveis, como sua prioridade número um. Em seguida, segundo ele, vem os investimentos em novas fontes de energia, ampliação do sistema público de saúde, reestruturação tributária e melhoria da educação. “Os detalhes do plano econômico do presidente eleito ainda são pouco conhecidos”, disse à DINHEIRO o economista James Angel, professor da McDonough Business School da Universidade de Geogetown. “Muita coisa que ele prometeu na campanha ainda pode mudar, porque a situação piorou muito nos últimos meses e não será possível fazer tudo com um déficit orçamentário que já chega a US$ 1 trilhão”, avalia. Ao evitar os detalhes, Obama tem dito que o país “só tem um presidente de cada vez”. O novo chefe de gabinete, Rahm Emanuel, disse em entrevistas que as prioridades anunciadas por Obama na campanha não vão mudar. “A classe média será o foco da nova estratégia econômica”, afirmou. O corte de impostos promovido por Bush em 2001 foi criticado por beneficiar os que ganham mais e quase ignorar a classe média. Se colocar em prática o discurso de campanha, Obama deve mudar radicalmente a política americana em relação a energias renováveis e contenção do aqueciment global. George W. Bush não ratificou o Tratado de Kyoto alegando que reduziria o crescimento econômico do país. Obama vê o desenvolvimento de uma “economia verde” como uma oportunidade para reativar a economia a se recuperar da crise. O programa de governo de Obama não detalha esses planos, mas o chefe da equipe de transição, John Podesta, ex-chefe de gabinete do presidente Bill Clinton e atual diretor do Centro para o Progresso Americano assina um relatório sobre o assunto que defende um investimento de US$ 100 bilhões em infra-estrutura “verde” em dois anos. De acordo com o estudo, divulgado na semana anterior à eleição, esses investimentos resultariam na criação de 2 milhões de empregos em seis áreas principais: adaptação dos prédios para gastar menos energia, aumentar a rede de transporte público e de cargas, construir sistemas elétricos inteligentes, usar energia eólica, solar e biocombustíveis de nova geração. Podesta argumenta que o investimento em energia renovável vai criar quatro vezes mais vagas do que se o mesmo volume de recursos fosse investido no setor petrolífero e 300 mil empregos mais do que se os gastos fossem direcionados ao consumo.