De fornecedor de matérias-primas para grupos como Unilever, Bunge e Sadia, a concorrente no mercado de margarinas. Eis a meta que o banqueiro Aloysio Faria ? controlador do grupo Alfa e ex-proprietário do banco Real ? traçou para sua empresa Agropalma nos próximos anos. Maior processadora no Brasil do óleo de palma, ou óleo de dendê, a companhia transformou-se desde 1997 em tradicional fonte de extratos e gorduras vegetais para empresas como a Elma Chips, Danone, Arisco e Nabisco, assim como siderúrgicas, indústrias têxteis, de sabonetes e cosméticos, que utilizam o óleo para ?azeitar? a produção. Os negócios têm ido muito bem, o faturamento no ano passado alcançou R$ 75 milhões e o grupo vem dominando as atividades com o vegetal, respondendo por 65% da produção brasileira. Em novembro, a Agropalma entra em nova fase. ?Vamos passar a fabricar margarinas e óleos para uso em restaurantes, lanchonetes e padarias. É um novo nicho de mercado?, explica Marcello Brito, diretor comercial da companhia.

A decisão bate de frente aos interesses da Unilever ou Sadia, por exemplo, que vendem latas de 16 quilos de margarinas para a clientela, usando insumos da Agropalma. Pode ser também o primeiro passo para a Agropalma ir muito além. ?Estamos tateando no negócio. Se tudo der certo, podemos também vender margarinas em supermercados.? A fim de se preparar para a briga com as gigantes do setor, a companhia está investindo R$ 26 milhões na ampliação e adaptação da sua refinaria em Belém, no Pará, que elevará a produção de 170 para 240 toneladas por dia. Para evitar erros de estratégias e indisposição com seus atuais clientes, comercializará seus produtos primeiro nas regiões Norte e Nordeste. Grandes centros de consumo, como São Paulo e Rio de Janeiro, serão atendidos depois. A vantagem do óleo de palma sobre o de soja é que ele necessita de pouquíssimas fases de processamento até se transformar em margarina.