Na carteira, Gabriel Villatore Bigardi guarda o extrato dos seus dois fundos de investimento. A papelada está sempre às mãos para conferir os rendimentos. O seu portfólio segue à risca a recomendação básica dos analistas de investimentos. Nas aplicações de longo prazo, como o plano de previdência, aceita correr uma certa dose de risco de perdas. Optou por um PGBL, que mistura ações e títulos pós-fixados. Para diversificar, deixa uma parte num conservador DI. ?Montei uma estratégia de longo prazo. Penso no futuro?, diz.

Da maneira que cuida do dinheiro, Gabriel Bigardi está pronto para tirar nota dez em qualquer um desses testes de avaliação de desempenho da organização financeira. No entanto, com certeza, a sua nota subiria para 20 com louvor, se a sua idade fosse levada em conta. Para surpresa no mundo das finanças, o ousado investidor tem apenas sete anos. ?Sei de cor o meu saldo?, gaba-se o pimpolho. Mas não pense que ele é o único com este perfil. Consultores e educadores financeiros têm notado cada vez mais o crescimento no número de investidores mirins. ?Hoje é muito mais fácil e acessível saber sobre o mundo das finanças?, diz Mauro Halfeld, professor de finanças pessoais e analista financeiro.

A maior prova de que este nicho de mercado tem aumentado é que Halfeld vai lançar, nos próximos dois meses, um livro para o público infanto-juvenil. A obra, que ainda não tem um nome definido, vai abordar qual é a idade ideal para iniciar a vida nas finanças e como administrar o dinheiro. ?É interessante que os pais acompanhem as aplicações dos filhos desde o início, mesmo que a criança tenha apenas sete anos?, diz o professor de finanças. A vantagem de começar mais cedo é que o amadurecimento financeiro e os lucros chegam antes. ?Eles vão ser muito mais ricos do que nós?, acredita Halfeld. Na opinião dele, porém, para se ter total domínio sobre os investimentos e saber diversificar as aplicações, a idade ideal é a partir dos 13 anos. ?Nesta época, o jovem já tem total controle sobre as informações de mercado.?

 

É o caso, por exemplo, do estudante Douglas Garcia, de 16 anos. O garoto destoa dos colegas de sua idade. Enquanto seus amigos estão andando de skate, ele passa boa parte do tempo praticando outra modalidade. ?O meu esporte é investir?, diz ele. Garcia é cliente do Banco do Brasil Teen, braço da instituição financeira direcionado a jovens clientes. As aplicações do adolescente estão concentradas somente em um fundo: o BB Fix, cuja clientela não é formada apenas por jovens investidores. Este fundo de renda fixa é superconservador e sua carteira está inteira atrelada a títulos do governo. ?Rende mais do que a poupança e não é tão arriscado assim?, conta ele. Entretanto, Garcia está de olho em novas oportunidades. ?Investir em ações é uma boa opção. Quem aplicou na Petrobras ganhou bastante?, analisa. O faro para novos investimentos não fica restrito a ações e ele já planeja aplicar em dólares. ?Quero abrir uma conta no exterior. Dólar é dólar!?, diz ele. Para atingir os seus objetivos financeiros, ele pede semanalmente conselhos para Marivanildo Lima, o gerente do banco.

Projetos. O também estudante Adriano Pereira Rodrigues, de 16 anos, trilhou o mesmo caminho de Garcia. ?Comecei aos 15 anos e estou juntando para montar um negócio daqui há alguns anos.? Hoje, ele aplica em um fundo de renda fixa. Nem mesmo George Soros, o megainvestidor húngaro naturalizado norte-americano, estreou tão cedo. Soros começou a operar no mundo das finanças aos 22 anos e chegou a administrar dezenas de bilhões de dólares. A julgar pela idade e pelo empenho, pode ser que um dia alguns garotos desse time cheguem lá.