O mercado financeiro já está em guerra. Ativos e indicadores econômicos sofrem bombardeios de todos os lados. Na defesa, a taxa de juros foi para 25,5%, o dólar chegou a R$ 3,65 e a cotação do ouro disparou 9,25%. A Bovespa ficou entrincheirada, mas não resistiu: despencou 13,5%. Os estragos ilustram apenas o balanço do período de 15 a 29 de janeiro. A angústia dos investidores veio à tona: como evitar que a aplicação vire um alvo fácil? Prepare um portfólio para os tempos de guerra. Alguns gestores ensinam como fazer uma estratégia defensiva.

 OURO
Funciona como um escudo para transformar o dinheiro em um ativo real durante a guerra e é aceito em qualquer lugar do mundo. Sendo assim, a rentabilidade do ouro já disparou. No mercado internacional a onça troy (33,1 gramas) é negociada em torno de US$ 360 ? a maior cotação dos últimos seis anos. ?Mesmo com o preço alto é uma boa opção para quem tem muitos recursos em mãos?, afirma Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora. Isso porque, já há previsões de que o valor do ouro dispare para US$ 400. Porém, no Brasil, a aplicação enfrenta a falta de liquidez. Mas quem se interessa pelo metal tem a alternativa de aplicar no exterior. Corretoras americanas como a AmeriGold fazem esse tipo de investimento para estrangeiros. Nos Estados Unidos, Londres e Canadá são negociados ainda a prata e platina, que também servem de armas de defesa para o portfólio de guerra.

FUNDOS
Diante das incertezas do rumo dos indicadores econômicos, os fundos derivativos ? que aplicam em todos os ativos financeiros ao mesmo tempo e faz operações no mercado futuro ? tornam-se poderosas armas para enfrentar os conflitos. ?São os únicos fundos que têm chance de ganhar nos cenários mais pessimistas e nos otimistas. Ele atua em todas as frentes?, afirma o consultor financeiro Alexandre Póvoa. A aplicação permite combinações de estratégias ? ficar vendido em bolsa e comprado em dólar ? que podem render na queda e na alta de cada um dos ativos. O sucesso depende 100% da competência do gestor da carteira. Ele terá que acertar em cheio a hora de comprar um papel e vender outro. Sendo assim, a rentabilidade histórica do fundo serve como referencia para a escolha da aplicação.

BOLSA
Pode ser a aplicação mais bombardeada nesse
período. As incertezas levam embora os recursos estrangeiros e ameaçam o desempenho das grandes companhias de capital aberto. Então, fica restrita para os investidores que acreditam num desfecho positivo para as economias mundiais. Neste caso, os ganhos podem ser bastante satisfatórios, porque a grande maioria dos papéis está desvalorizada. De qualquer forma, empresas com dívidas em dólar e baixa geração de caixa são proibitivas neste momento. Entre as mais promissoras estão Companhia Vale do Rio Doce e Souza Cruz. ?As conseqüências do ataque depreciam a Bolsa?, diz Clodoir Vieira, da Corretora Souza Barros.

TÍTULOS PÚBLICOS
Os rendimentos oferecidos pelos papéis atrelados à dívida do governo brasileiro continuam atrativos, em torno de 25% ao ano. Para Póvoa, o investidor pode deixar cerca de 60% do portfólio em DI e outros 10% em renda fixa pré-fixado neste momento de tensões internacionais. Assim, se ocorrer uma baixa na taxa de juros da economia, você terá a garantia dos rendimentos dos papéis pré-fixados. Os títulos públicos do governo americano também são boas alternativas para o investidor que tenha conta bancária no exterior. Apesar de baixa rentabilidade (apenas 1,2% ao ano), os papéis dos Estados Unidos são considerados os mais seguros.

CÂMBIO
Os analistas são unânimes em afirmar que uma
parcela do patrimônio deve ficar em moeda estrangeira. Apesar das ligeiras valorizações do euro frente ao dólar, Póvoa não acredita que o real terá uma cotação muito diferente frente às duas moedas. Então, a escolha fica a critério do cliente. ?Se a guerra perdurar, o investidor mais bem posicionado será aquele que já estiver com 70% da carteira no câmbio?, diz Póvoa.

IMÓVEIS
É uma forma de manter o patrimônio diante de qualquer caos econômico. Lembre-se que é um ativo real. Além de proteção, quem também procura ganhos encontrará boas ofertas. ?Imóveis em cidades próximas a São Paulo como Campinas e Sorocaba têm potencial de valorização mesmo na guerra?, acredita Rodrigo Martins, gerente de marketing da Cushman & Wakefiel Semco.