O número de vítimas fatais da fome no Iêmen, país devastado pela guerra, vai-se multiplicar por cinco, alcançando 161.000 pessoas este ano, uma situação “altamente preocupante” – alertaram várias agências da ONU, nesta segunda-feira (14).

Hoje, mais de 30.000 pessoas se encontram em condições de carestia alimentar, de acordo com um comunicado conjunto da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

O comunicado foi distribuído dois dias antes de uma conferência de alto nível que pretende reunir ajuda para o Iêmen.

“Estes números aterrorizantes confirmam que estamos prestes a ter uma catástrofe no Iêmen e que quase não temos tempo para evitá-la”, disse o diretor do PMA, David Beasley, advertindo que haverá “inanição e fome massivas”, se os doadores não oferecerem ajuda à população iemenita.

A invasão russa da Ucrânia aumenta o temor de que o fornecimento mundial de alimentos seja afetado. A guerra “poderá provocar importantes perturbações nas importações, afetando ainda mais os preços dos alimentos”, alertou a ONU.

o Iêmen depende quase completamente das importações de alimentos, com quase um terço do fornecimento de trigo procedente da Ucrânia, acrescenta a organização.

“Há uma profunda convicção de que temos de agir agora”, frisou o coordenador humanitário da ONU para o Iêmen, David Gressly.

– “Catastrófico” –

As avaliações divulgadas pela ONU usam a Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (CIF), que qualifica os níveis de fome de um a cinco.

Nesse sistema, o quinto nível está classificado como “catastrófico” e, quando se chega a 20% da população, é considerado como situação de escassez.

Nesta segunda-feira, os resultados da classificação mostraram que 17,4 milhões dos 29 milhões de habitantes no Iêmen enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda, e é provável que este dramático total aumente para 19 milhões este ano.

“Um novo dado extremamente preocupante é que se prevê que o número de pessoas que experimentam níveis catastróficos de fome (…) se multiplique por cinco, passando das 31 mil pessoas atuais para 161 mil no segundo semestre de 2022”, acrescenta o comunicado da ONU.

O documento também detalha que 2,2 milhões de crianças estão gravemente subnutridas no Iêmen, entre elas “quase mais de meio milhão de crianças que enfrentam a desnutrição aguda grave, uma condição que põe suas vidas em perigo”.