13/07/2015 - 11:49
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira aos líderes do planeta flexibilidade e compromisso, na abertura de uma conferência sobre o financiamento para o desenvolvimento em Adis Abeba.
“Convoco os dirigentes mundiais e os ministros reunidos aqui nesta semana (…) a mostrarem flexibilidade e (senso) de compromisso”, declarou. “Deixemos de lado o que nos divide e nossos interesses particulares para trabalhar juntos pelo bem comum da humanidade”.
O anfitrião da conferência, o primeiro-ministro etíope Hailemariam Desalegn, exigiu que fosse dada uma atenção particular aos países menos avançados, dos quais a maioria (33 sobre 49) são africanos.
“Espero que nesta cúpula os países desenvolvidos se comprometam a dedicar ao menos 50% de sua Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (AOD) aos Estados menos desenvolvidos”, declarou.
Milhares de delegados e centenas de ministros e chefes de Estado de países doadores e em desenvolvimento se reúnem para encontrar formas de financiar uma erradicação duradoura da pobreza.
Após as cúpulas de Monterrey em 2002 e de Doha em 2008, a reunião de Adis Abeba servirá para comprovar a vontade dos Estados na hora de colocar em andamento a nova agenda de desenvolvimento das Nações Unidas.
O objetivo é encontrar financiamento para os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável que a ONU está fixando para 2015-2030 e que devem ser adotados em setembro em Nova York.
As Nações Unidas desejam erradicar a pobreza e a fome no mundo até 2030, enquanto controlam as mudanças climáticas. Um desafio enorme para o qual serão necessários 2,5 bilhões de dólares de ajuda adicional por ano, segundo a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento.
A escolha da Etiópia como país anfitrião mostra a importância do tema para o continente africano. O país, criticado por limitar os direitos humanos e que segue entre os lugares menos avançados, é considerado um modelo de desenvolvimento.
Os esforços feitos nos últimos meses para acordar um documento final ainda não deram resultado.
Os países ricos querem encontrar novos fundos recorrendo ao financiamento privado e às receitas domésticas dos países afetados, ao invés de buscar um aumento da AOD. Também pedem que os países emergentes como Índia, China ou Brasil contribuam mais para a ajuda internacional.
A conferência deve, no entanto, reafirmar o objetivo dos países desenvolvidos de dedicar 0,7% de sua riqueza nacional à ajuda ao desenvolvimento, sobretudo para os países mais pobres. Um compromisso que foi muito pouco respeitado até a data.
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