O Relator Especial da ONU contra a tortura, o argentino Juan Méndez, recebeu novas denúncias sobre supostos casos de torturas na Venezuela, revelou nesta segunda-feira à AFP em Genebra, à margem da apresentação do relatório anual de sua Relatoria. “Estamos recebendo novas denúncias. As denúncias são de todo tipo e as que tinham a ver com meu mandato são especificamente algumas, felizmente poucas, mas tratamentos muito severos de torturas”, disse Méndez à AFP. “E queremos que sejam investigadas a fundo. São torturas muito, muito graves”, indicou Méndez à AFP, depois de apresentar seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. “Fizemos uma comunicação conjunta (ao Estado) entre cinco Relatores, e preparamos uma declaração pública. Estamos esperando a resposta do governo, é claro, sobre a comunicação que fizemos, que incluía vários episódios distintos, começando nos primeiros dias de fevereiro, mas decidimos torná-la pública porque a situação prossegue”, ressaltou Méndez. “Consideramos a denúncia suficientemente crível para iniciar esta comunicação, mas estamos, é claro, à espera da resposta do governo”, confirmou Méndez ao ser perguntado se os casos envolviam membros da força pública venezuelana. “Estamos primeiro processando a informação (das novas denúncias) para garantirmos que seja efetivamente crível, e vamos fazer outra comunicação ao Estado”, afirmou Méndez. “Os casos que eu classificaria de torturas são dois ou três, mas isso não quer dizer que não exitam outros. Os que chegaram ao meu conhecimento são dois ou três”, reiterou o relator. Por sua vez, “são muitos outros os que têm a ver com o uso excessivo da força na repressão nas ruas, que também caem sob meu mandato”, advertiu o Relator Especial, que reiterou seu desejo de realizar uma visita à Venezuela. Pedi “um convite à Venezuela há muitos anos” e “o renovamos agora, é claro, mas, independentemente de podermos visitá-la ou não, também vamos seguir insistindo com nossas comunicações”, ressaltou Méndez. Méndez declarou igualmente que continua esperando para realizar uma visita a Cuba. “Sigo insistindo em ir, mas ainda não tenho resposta” do governo cubano, disse Méndez. “Vou ao México no mês que vem. Será uma visita importante e pedi para ir ao Brasil. E Venezuela e Cuba são os outros países com os quais já havia pedidos anteriores”, concluiu. jlf.zm/it/ma