07/06/2026 - 19:04
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) anunciou, neste domingo, 7, um novo aumento de suas cotas de produção para o mês de julho, embora não possa aplicá-lo enquanto a guerra no Oriente Médio continuar.
Sete dos 21 países-membros da organização (Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã) “decidiram implementar um ajuste de produção de 188.000 barris de petróleo por dia” para julho, anunciou o grupo em um comunicado em seu site.
Trata-se de um volume similar ao dos meses anteriores, como parte de uma mudança de estratégia.
A guerra cortou os fluxos de petróleo por meio do Estreito de Ormuz, criando a maior crise de abastecimento do mundo, já que os principais membros da Opep+, incluindo a Arábia Saudita, não conseguem abastecer totalmente os clientes desde o final de fevereiro. A crise da Opep+ se agravou quando os Emirados Árabes Unidos deixaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo após quase 60 anos.
Em 2023, o cartel lutou contra a queda dos preços do petróleo com “cortes voluntários” de sua produção, mas a partir de abril de 2025, injetou progressivamente barris adicionais no mercado.
Capacidade de produção desabou
A capacidade de produção ainda inexplorada se concentra nos países do Golfo, cujas exportações diminuíram drasticamente devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, orquestrado pelo Irã desde o início da guerra no Oriente Médio. A produção do grupo entrou em colapso devido aos cortes de exportação dos membros do Golfo, com uma média de 33,19 milhões de barris por dia (bpd) em abril, em comparação com 42,77 milhões em fevereiro, de acordo com os números da Opep.
O anúncio deste domingo “não significa grande coisa, enquanto o Estreito de Ormuz continuar fechado”, explica Jorge Leon, analista da Rystad Energy. Na prática, o grupo pode fazer muito pouco para combater a instabilidade do mercado.
E a Rússia, cujas instalações petroleiras são atacadas regularmente pela Ucrânia, “também se torna um fator de restrição” dentro do grupo, “com uma cota que aumenta enquanto a produção real segue estando muito abaixo do objetivo”, afirma Leon.
Por estes motivos, o anúncio não deveria ter nenhum impacto no preço do barril na segunda-feira, na abertura dos mercados, que estarão mais influenciados pela guerra no Oriente Médio, onde as negociações de paz parecem estagnadas.
A decisão é “mais um sinal político que um verdadeiro impulso para a oferta”, resume Leon.
A Opep+ tenta manter a coesão após a comentada saída dos Emirados Árabes Unidos do cartel, em 1º de maio, que pôs em destaque um enfraquecimento da organização.
Mas para os países-membros, “o verdadeiro desafio surgirá uma vez que os fluxos se normalizarem”, quando “o tema já não seja quanto a Opep+ pode produzir, mas quem está disposto a reduzir” seus volumes para não inundar o mercado, destaca o analista.
Na sexta-feira, os preços do petróleo caíram para cerca de US$ 93 por barril, já que os comerciantes ganharam confiança de que um novo conflito entre os EUA e o Irã estava cada vez menos provável. Os preços estavam próximos de US$72 antes do início da guerra.
