04/06/2015 - 15:58
O operador de telefonia francês Orange anunciou nesta quinta-feira o fim de sua parceria com a empresa israelense Partner, confirmando uma intenção que provocou acusações de Israel de concessões às pressões pró-palestinas.
Parcialmente controlada pelo Estado francês, a Orange assegurou em um comunicado que sua decisão de acabar com sua parceria com a Partner não tinha motivações políticas, explicando que o grupo deseja ter total controle sobre sua marca.
A companhia assegurou que respeitará “estritamente os acordos existentes”, uma vez que o contrato com a Partner expira apenas em 2025.
Mas, desde as declarações na quarta-feira do CEO da Orange, Stéphane Richard, não resta dúvidas em Israel de que a Orange procura se dissociar da Partner por razões políticas. A empresa israelense utiliza frequentemente o nome e a imagem da francesa, fornecendo serviços em Israel, mas também nas colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, uma ocupação considerada ilegal pela comunidade internacional.
“Faço um apelo ao governo francês para que rejeite publicamente as declarações e ações infelizes de uma empresa, da qual é, em parte, proprietário”, disse o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de acordo com nota divulgada por seu gabinete.
Netanyahu acusou a Orange de participar de um “drama absurdo”: em que uma democracia “respeitadora dos direitos humanos” sucumbe a ameaças de segurança. “Nunca perdoaremos esse espetáculo absurdo”, garantiu.
Antes de Netanyahu, a Chancelaria israelense disse esperar um pedido de desculpas da Orange, enquanto o embaixador israelense em Paris pediu explicações ao Estado francês, que detém 25% da Orange.
Isaac Benbenisti, que assumirá a presidência da Partner em 1º de julho, acusou Stéphane Richard de ceder às “pressões dos (grupos) pró-palestinos” e de participar de uma campanha de isolamento de Israel no mundo.
Cinco ONGs e dois sindicatos pediram em maio que a companhia francesa acabasse com sua parceria em Israel, denunciando “os atentados cometidos contra os direitos humanos pela Partner”. Segundo seu relatório, a Partner contribuiu para a manutenção das colônias ao fornecer seus serviços.
A comunidade internacional considera ilegais as colônias – esses blocos construídos e habitados por israelenses nos territórios ocupados ou anexados por Israel -, considerando ser um obstáculo fundamental para a busca pela paz na região.
Orange e Partner estão vinculadas por um acordo de licença que permite à sociedade israelense utilizar a marca e a imagem da francesa em troca de uma taxa. O contrato foi assinado em 1998, dois anos antes da aquisição da Orange pela France Telecom.
É o único contrato de marca da Orange, presente em 29 países, e uma empresa que não seja uma filial.
O momento é delicado para Israel, que enfrenta uma campanha intensificada global de boicote (BDS) para aumentar a pressão econômica e política para acabar com a ocupação dos territórios palestinianos.
Nos últimos dias, vários incidentes – como a decisão de uma grande representação de estudantes britânicos de participar da BDS, a tentativa palestina de suspender a Federação de Futebol israelense e a preocupação de acadêmicos israelenses de serem condenados ao ostracismo por seus colegas estrangeiros – colocaram a questão do boicote no centro de um debate animado.