A oposição no Senado vai apresentar um relatório alternativo ao  parecer do relator Eunício Oliveira (PMDB-CE) para a PEC do Teto dos  Gastos, que será votado nesta quarta-feira, 9, na Comissão de  Constituição e Justiça da Casa. O texto, que é um pacote de 13 medidas  que reúnem as emendas apresentadas pela bancada do PT e aliados, sugere  desde a alteração da vigência da PEC até a exclusão de setores como  saúde e educação, além do salário mínimo, do limite de gastos.

A  PEC enviada ao Congresso pelo governo de Michel Temer fixa por 20 anos  um limite para as despesas. Na prática, caso entre em vigor em 2017, o  orçamento base para o teto será sempre o valor executado no ano de 2016  acrescido da inflação.

As sugestões da oposição para  atenuar os efeitos do limite de gastos foram divididas em cinco  categorias: alterações estruturantes, exclusões de setores, partilha de  receitas, sanções e novidades. O relatório alternativo será apresentado  na forma de voto em separado na CCJ, mas não existe perspectiva de  acolhimento pela base do governo.

Vigência

Quanto  à estrutura, os senadores sugerem que o limite de gastos tenha duração  apenas de um mandato de quatro anos com alteração da regra a cada Plano  Plurianual. Também foi sugerido que nem todo recurso economizado seja  gasto para o pagamento de juros da dívida pública e que um limite seja  estabelecido pela lei. O texto da oposição também altera a regra de  correção do teto para incluir o aumento real do PIB a partir de 2019.

Exclusões e sanções

A  proposta exclui do limite de gastos as áreas de saúde, educação e  assistência, além dos investimentos públicos. Os senadores alegam que  essa é uma regra comum nos países que adotam o teto. Eles sugerem ainda  que seja excluída a Previdência Social e argumentam que isso pode  fortalecer, inclusive, o próprio discurso político do governo, que  pretende enviar uma proposta de Reforma da Previdência ao Congresso.

A  oposição também pede que seja excluído do texto a cláusula que evita  aumentos reais do salário mínimo sempre que este estourar o teto. Para  os senadores, a PEC não deve impor nenhuma sanção ao mínimo.

Estados e municípios

Outra  exclusão seria de valores mínimos constitucionais para Estados e  municípios. De acordo com a oposição, o texto da PEC é dúbio e é preciso  deixar claro que o teto não se aplica às demais esferas de governo.

Ainda  na tentativa de protegê-los, o projeto da oposição quer elevar o  porcentual dos Fundos de Participação de Estados (FPE) e Municípios  (FPM), compartilhando parte da receita advinda do resultado primário com  a aprovação da PEC.

Novidades

A  oposição quer garantir que o teto dos gastos não terá vigência durante  crises econômicas, impedindo a mudança da política fiscal. Para isso, os  senadores sugerem que o limite seja dispensado sempre que a economia  crescer abaixo de 1% por quatro trimestres consecutivos. Dessa forma, o  governo poderia tentar aquecer a economia injetando investimentos.

Outra  proposta busca reativar, por meio da PEC, o imposto sobre lucros e  dividendos, que atinge empresários, sócios e acionistas de empresas.  Esse imposto foi encerrado em 1995 durante o governo Fernando Henrique  Cardoso. De acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica  Aplicada (Ipea), o governo poderia arrecadar R$ 43 bilhões por ano com  uma alíquota de 15% sobre lucros e dividendos.

Por fim, a  proposta prevê que, antes de entrar em vigor, a PEC seja autorizada em  um referendo. Dessa forma, caso a população rejeitasse o projeto, não  haveria limite aos gastos públicos.