Para acelerar o andamento do processo de impeachment da presidente  Dilma Rousseff, partidos de oposição anunciaram que vão se organizar  para dar quórum na Câmara às sextas e segundas-feiras, dias em que  tradicionalmente não há trabalhos na Casa. Segundo os líderes  partidários, será montado um esquema de rodízio entre os parlamentares  para garantir a abertura de sessões com o quórum mínimo de 51 presentes.  ”Quem tem pressa é o povo brasileiro”, justificou o líder do PSDB,  Antonio Imbassahy (BA).

Com a criação da comissão  processante, a presidente da República terá 10 sessões para apresentar  sua defesa. O relator, que será eleito nesta quinta, 17, terá outras  cinco sessões para entregar um parecer. Dilma será notificada ainda  nesta quinta, 17, pelo primeiro-secretário da Mesa Diretora, deputado  Beto Mansur (PRB-SP), sobre a criação da comissão especial do  impeachment.

Os partidos de oposição estão empenhados agora  em levar, o mais rápido possível, o julgamento da presidente Dilma ao  plenário. Empolgados com a criação da comissão, os parlamentares  prometem pressionar para que os trabalhos sejam acelerados. “Não vamos  brincar em serviço”, disse o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM).

Em  outra frente de atuação para afastar a petista do cargo, os  oposicionistas anunciaram uma representação na Procuradoria Geral da  República (PGR) pedindo a abertura de inquérito contra a presidente.  Para a oposição, a petista pode ser enquadrada na prática de crimes de  prevaricação, fraude processual e favorecimento pessoal ao nomear o  ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa  Civil. Se houver denúncia da PGR ao Supremo Tribunal Federal (STF), os  oposicionistas acreditam que a petista poderá ser afastada. Nesta tarde,  eles lembraram que até o vice-presidente Michel Temer, líder nacional  do PMDB, deixou de participar da cerimônia de posse mais cedo em sinal  de desaprovação ao governo.

O líder do DEM desconversou ao  ser questionado sobre o posicionamento político do juiz Itagiba Catta  Preta Neto, da 4ª vara da Justiça Federal do Distrito Federal, que  suspendeu em caráter liminar a posse do ex-presidente. Nas redes  sociais, o magistrado publicou comentários defendendo o impeachment de  Dilma e participou de protestos contra o governo petista. “A livre  manifestação é para todos”, respondeu.