25/02/2010 - 1:31
O clube de investimento é a maneira mais barata de montar uma carteira de ações. Com três pessoas, no mínimo, e 150, no máximo, é possível negociar na bolsa com vantagens tributárias. Atualmente, são 140 mil cotistas participando de 2,9 mil clubes com um patrimônio líquido de R$ 14,1 bilhões. Obrigatoriamente, os participantes devem ter algum tipo de afinidade, como, por exemplo, pertencer a uma mesma empresa ou categoria profissional. O problema é que algumas corretoras passaram a atrair participantes sem que eles tivessem nenhuma ligação. Além disso, agentes autônomos faziam uma gestão disfarçada dos recursos, atividade só permitida para os fundos. Para coibir abusos, a Comissão de Valores Mobiliários abriu uma consulta pública para enquadrar os espertinhos. Clubes pagam Imposto de Renda de 15% sobre o lucro, enquanto o dos fundos chega a 22,5%.
A xerife do mercado de capitais está em busca de mais transparência para os clubes de investimento. As sugestões principais são reduzir de 150 para 50 cotistas, instituir a assembleia obrigatória e acabar com a figura de um único representante para o clube. ?A corretora precisa ter estrutura para se relacionar com todos os cotistas e não apenas com um representante?, diz Otávio Yazbek, diretor da CVM.
Um dos alvos da CVM é o banco Geração Futuro. Nos últimos anos, a instituição foi a que mais abriu novos clubes. Isso foi fundamental para o número de clientes subir de 1,5 mil em 2002 para 71,1 mil até a metade do ano passado e o patrimônio saltar de R$ 169 milhões para R$ 6 bilhões no mesmo período. ?Fazíamos isso, mas abandonamos a ideia e hoje só temos clubes com pessoas que tenham afinidade?, disse à DINHEIRO o sócio Amilton Barbelotti, que atualmente tem 212 clubes. Antecipando-se às regras, a Geração encerrou 40 clubes.
Outro ponto que andava obscuro é a figura dos agentes autônomos. Muitos faziam a gestão disfarçada, ao montar carteiras dos clubes de investimento para clientes das corretoras. Antes da crise, o problema era invisível, pois ninguém estava perdendo dinheiro. Agora, após a bomba estourar, a CVM vai exigir maior responsabilidade das corretoras sobre eles. ?As corretoras precisarão cuidar melhor de seus agentes autônomos?, afirma Barbelotti. É um começo para colocar ordem na casa.