Insultos do deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos-SP) à jornalista Vera Magalhães na saída de um debate televisivo entre os candidatos ao governo paulista, na noite da última terça-feira (13/09) colocaram o comitê de campanha de Jair Bolsonaro numa saia-justa.

Seguidor fiel da cartilha do bolsonarismo, o deputado foi ao debate a convite da campanha do colega de partido Tarcísio de Freitas, que é ex-ministro de Bolsonaro e candidato ao governo de São Paulo.

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“A senhora é uma vergonha, vergonha para o jornalismo brasileiro”, afirmou Garcia, enquanto filmava a jornalista.

A mesma frase foi proferida pelo próprio Bolsonaro no final de agosto, durante o primeiro debate presidencial televisionado da campanha, em reação a uma pergunta de Magalhães sobre desinformação em relação a vacinas.

“Acho que você dorme pensando em mim. Você tem alguma paixão em mim. Não pode tomar partido num debate como esse. Fazer acusações mentirosas a meu respeito. Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”, disse Bolsonaro na ocasião.

Os dois ataques a Magalhães repercutiram mal, já que a campanha bolsonarista tem se esforçado para conquistar o voto das mulheres, em geral avessas ao estilo agressivo do presidente. Elas são 53% do eleitorado e devem ser um dos fiéis da balança desta eleição.

Por esse motivo, o presidente tem tentado abrandar o tom e alçou a própria esposa, Michelle Bolsonaro, a um lugar de destaque em sua campanha.

Relembre outros ataques de Bolsonaro a jornalistas mulheres:

“Você é casada com uma pessoa que vota em mim”

Em sabatina na Jovem Pan no último dia 6 de setembro, o presidente foi indagado pela jornalista Amanda Klein sobre suspeitas que pairam sobre ele e a família.

Sua primeira reação foi citar o marido de Klein. “Ô, Amanda, você é casada com uma pessoa que vota em mim. Eu não sei como é teu convívio na tua casa com ele.”

“A minha vida particular não está em pauta”, respondeu a jornalista.

“A minha vida particular está em pauta por quê?”, disparou o presidente, que participava da sabatina e era submetido a uma rodada de perguntas justamente pela sua condição de ocupante do cargo máximo da República e candidato à reeleição.

“Quadrúpede”

Em 1º de junho de 2021, ao falar com apoiadores nos jardins do Palácio da Alvorada, Bolsonaro atacou a jornalista Daniela Lima, da CNN, que teve uma declaração tirada de contexto por apoiadores do presidente.

A apresentadora havia dito, durante o jornal CNN360º, a seguinte frase: “Não saia daí porque agora, infelizmente, a gente vai falar de notícia boa, mas com valores não tão expressivos”, em referência a números sobre o mercado de trabalho.

Bolsonaristas compartilharam então apenas o trecho “infelizmente, a gente vai falar de notícia boa”, sem a conclusão do raciocínio.

Sem citar nominalmente a profissional, o presidente disparou: “‘Infelizmente, somos obrigados a dar uma boa notícia, mas não é tão boa assim não’. É uma quadrúpede.”

“Cala a boca”

Poucas semanas depois, Bolsonaro atacou a jornalista Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da Globo em São José dos Campos (SP), ao ser indagado por ter chegado a um evento sem usar a máscara.

“Eu cuido da minha vida”, afirmou Bolsonaro. E após tirar a máscara, esbravejou: “Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria de imprensa.”

A jornalista tentou interpelá-lo, mas foi cortada rispidamente pelo presidente, que disparou: “Cala a boca!”

“Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”

Em fevereiro de 2020, Bolsonaro fez uma insinuação sexual ao se referir à jornalista Patricia Campos Mello, autora de uma série de reportagens para o jornal Folha de S.Paulo que revelaram disparos em massa de notícias falsas pelo WhatsApp em benefício do então candidato durante as eleições de 2018.

No final de junho deste ano, ele foi condenado a indenizar a jornalista em R$ 35 mil.

Ao falar com jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro, cercado da sua tradicional claque de apoiadores, disse, intercalando risadas, que a repórter “queria dar o furo a qualquer preço contra mim”.

No jargão do jornalismo, furo é um termo usado para designar a obtenção e divulgação de uma notícia exclusiva.

Mas, no contexto usado pelo presidente, o termo acabou sendo instrumentalizado por Bolsonaro como um insulto sexual.

“Não podem contratar qualquer uma para ser jornalista e perguntar besteira”

Em maio de 2019, durante visita aos Estados Unidos, Bolsonaro se irritou ao ser questionado pela repórter Marina Dias, correspondente do jornal Folha de S.Paulo em Washington, sobre o corte de verbas na educação.

“Vocês da Folha de S.Paulo têm que entrar de novo numa faculdade que presta e fazer um bom jornalismo (…), e não contratar qualquer uma para ser jornalista, ficar semeando a discórdia e perguntando besteira e publicando coisas nojentas por aí.”

“Tô apaixonado por você”

No mês seguinte, em junho de 2019, ele voltou a fazer referência aos ataques a Dias ao ser entrevistado por outra jornalista do mesmo veículo, a repórter Sylvia Colombo.

Indagado sobre um assunto de política externa brasileira envolvendo as relações diplomáticas com a Venezuela, Bolsonaro desconversou: “Tô apaixonado por você.”

Ao ouvir da repórter que ela era da Folha de S.Paulo, emendou: “Parabéns, a Folha agora contratou uma pessoa que sabe fazer pergunta”.