16/12/2009 - 8:00

José rocha Neto, do Bradesco, Denise Seabra e Adaílton Trindade, da caixa
Quando o holandês Maurik Jehee colocou os pés pela primeira vez no Brasil, há pouco mais de uma década, o crédito de carvão soava como um palavrão para a maioria dos empresários. Naquela época, trabalhando como diretor do ABN Amro Real para temas ambientais, o próprio Jehee nem sequer sabia como essa nova modalidade de crédito se comportaria dali em diante.
O tiro, no escuro, foi certeiro. O holandês tornou-se o maior especialista em crédito de carbono do País e ajudou o mercado de compra e venda de carbono saltar de US$ 12 bilhões, em 2005, para os atuais US$ 120 bilhões. E cada vez mais o tema ganha relevância na agenda corporativa. “Antes, as empresas evitavam falar em carbono. Parecia muito complicado.
De uns tempos para cá, o telefone não para de tocar”, disse Jehee à DINHEIRO, de seu escritório no bairro do Brooklin, em São Paulo. Em 2007, quando o Banco Real foi incorporado pelo grupo espanhol Santander, muita gente imaginou que seria o fim da carreira de Jehee no banco. Ledo engano. “A bandeira da sustentabilidade, quase uma marca registrada do Banco Real no meio financeiro, tem sido muito bem absorvida pelo Santander”, garantiu Jehee. “Agora, monitoramos cada passo do mercado de crédito de carbono.”
A alguns quilômetros do escritório do Banco Real, no bairro de Cidade de Deus, em Osasco, o pernambucano José Ramos Rocha Neto, diretor de crédito do Bradesco, também acompanha cada passo das empresas brasileiras no campo ambiental. Há 23 anos no mercado financeiro, ele é responsável por todas as modalidades de crédito do banco, exceto cartão de crédito e câmbio. Mesmo assim, diz ter um “afeto especial” pelas linhas voltadas ao financiamento de projetos ambientais.

Maurik Jehee, do real: um dos pioneiros do crédito de carbono no Brasil tem sido mais procurado pelas empresas
“A sustentabilidade está em nosso DNA. É muito bom quando assinamos um contrato ambiental”, afirma o executivo. A dedicação de Rocha Neto no campo ambiental o motivou a elaborar em abril deste ano, com um time de economistas do Bradesco, um grande departamento de crédito de carbono.
Desde então, o banco passou a oferecer consultoria e seis diferentes linhas de financiamento na esfera da sustentabilidade – que vão do CDC-MDL, que ajuda micro e pequenas empresas a desenvolver projetos ‘verdes’, ao carbono fiança (antecipação de contratos de crédito de carbono) e os fundos de investimento.
Se os financiamentos de projetos ambientais já têm sido bons para a imagem e os cofres dos bancos privados, se mostram fundamentais nos planos de mercado dos bancos públicos. Neste ano, alinhada à bandeira ambiental do governo Lula, a Caixa intensificou os programas de apoio às iniciativas de redução de gases poluentes. Em 2008, pouco mais de R$ 3,7 bilhões foram liberados às empresas para programas de saneamento ambiental, tratamento de resíduos, poluição industrial e modernização dos processos de eliminação de lixo urbano.
Neste ano, outros R$ 3,5 bilhões deverão financiar projetos como estes. Por trás desse potencial segmento de crédito da Caixa estão Adaílton Ferreira Trindade, gerente nacional de produtos de financiamento, e Denise Seabra, gerente de produtos ambientais. Ambos mantêm contato direto com o Banco Mundial para financiamento de empresas brasileiras.
“Há três anos, crédito de carbono era, na visão dos empresários, uma coisa muito distante. Hoje, todos querem entrar para esse mercado”, diz Denise. “Ajudamos a desenvolver projetos e financiamos iniciativas ambientais, que vão de energia eólica a biomassa e aterros sanitários, e estimulamos a causa verde no meio corporativo. Essa é nossa missão”, acrescentou Trindade.