13/01/2010 - 8:00

A Copa São Paulo de futebol juniores é a maior vitrine para o aspirante a craque. Do início de janeiro até o final do torneio, que acontece no dia 25, data de aniversário da capital paulista, times de todo o Brasil exibem seus talentosos garotos desconhecidos. Mais que a disputa do troféu, está em jogo a chance para quem quer aplicar recursos no mundo da bola.
Nesses últimos anos, o futebol se transformou em um dos mais rentáveis investimentos. E o que aconteceu foi muito simples. Os jogadores deixaram de ser propriedade dos clubes, com o fim da Lei do Passe, e ganharam liberdade para negociar seus direitos econômicos. É como se eles virassem ativos que se valorizam e depreciam conforme a alta e a baixa do mercado. Para quem pode correr o risco para obter um alto retorno, nada parece mais apropriado. Ainda mais com esses meninos-jogadores que ainda custam pouco dinheiro e têm a possibilidade de virar, quem sabe, um ídolo do esporte, como Alexandre Pato e Robinho.
As opções de investir nos futuros craques estão surgindo.
Nas últimas semanas, uma parcela de torcedores do Palmeiras começou a discutir a possibilidade de juntar forças com a empresa Traffic na aquisição de jogadores. O Atlético Mineiro manifestou o desejo de montar um fundo de investimento para comprar atletas. Mas quem está mais próximo de ser o pioneiro entre os clubes de futebol na criação de um fundo é o Santos. Recém-eleito, o presidente Luís Álvaro de Oliveira convocou um grupo com conhecimento do mercado financeiro para estruturar uma captação pública. Se tudo correr bem, eles saem em busca do aval da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
25% A 40% É O RENDIMENTO ANUAL ESTIMADO DOS INVESTIMENTOS PARTICULARES EM PASSES DE JOGADORES DE FUTEBOL NO PAÍS
Além da intenção de montar um time com bons jogadores, o lucro da futura venda não pode ser descartado. Esse é um negócio que pode gerar uma margem líquida de 25% a 40% ao ano. “Os ganhos exponenciais servem de proteção para as perdas, que são muitas, mas pouco divulgadas”, diz Ivandro Sanchez, sócio responsável por esporte e entretenimento do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Ópice Advogados.
O zagueiro Breno foi negociado pelo São Paulo para o alemão Bayern de Munique por cerca de R$ 33 milhões (US$ 18 milhões), em 2007. Seu custo inicial foi de R$ 300 mil. Henrique, zagueiro que jogou seis meses no Palmeiras, foi adquirido por R$ 6 milhões e vendido por R$ 21 milhões para o Barcelona.
É preciso ter cautela antes de sair à caça de uma promessa. No Brasil, os instrumentos para esse tipo de investimento ainda são restritos. E, na maioria das vezes, particulares. Na CVM, existe apenas um fundo de investimento em participações registrado para adquirir produtos ligados ao futebol, de clubes a jogadores.
O Soccer BR1, gerido pela Integral Investimentos, foi aberto em novembro do ano passado, mas é exclusivo de um investidor. Ainda neste início de ano, a xerife do mercado de capitais deve apresentar as regras para quem quer investir em atletas. “A área técnica está refletindo sobre a melhor maneira de tratar esses fundos para evitar que a paixão do futebol atrapalhe a decisão racional de investimento”, diz Cláudio Maes, gerente de acompanhamento de fundos da CVM. “Estamos nos esforçando para deixar claro que o torcedor só deve comprar um jogador se for um bom negócio.”