17/12/2002 - 8:00
Os mercados internacionais receberam bem sua indicação. Em que isso pode ajudar o País?
O Brasil é um grande captador de recursos no mercado internacional. Portanto, Lula tem de contar com pessoas que tenham experiência junto aos agentes financeiros. Eu tenho, posso e quero ajudar.
O desafio o assusta?
Nem um pouco. Convivo com o mercado nessas condições há
muito tempo. Assumi a vice-presidência e o comando das mesas de operação do BankBoston em 1981. Passei por todas as crises brasileiras desde o início da década de 80. Essa não é a pior.
Qual foi a pior?
Nada foi mais traumático do que o Plano Collor para quem, à época, dirigia uma instituição financeira no Brasil. Superei esse desafio e todos os que vieram depois. Vou ajudar o Brasil a vencer o atual.
O sr. jogava do lado dos bancos. Agora, terá de enfrentá-los.
O que mudou?
Tive a experiência, com grande intensidade emocional, do contato com a população brasileira, especialmente a carente. Isso é transformador. Minha trajetória foi de distanciamento das origens. Nasci em Goiás. Ao assumir a presidência mundial do BankBoston, fui para Nova Inglaterra. Estava no top do mundo ? mas desligado do ?meu? mundo.
O sr. foi eleito pelo PSDB. Não o constrange ir para o
governo do PT?
Não. O presidente Lula está montando uma equipe de qualidade. A função do Banco Central pressupõe uma postura apolítica. Renunciarei ao mandato de deputado federal e me desligarei do PSDB.
Faz diferença não ter sido o primeiro escolhido para o cargo?
Não sei qual foi o processo decisório e não acho relevante essa questão. Quando fui chamado, encarei a proposta com seriedade.
Como o sr. atuará no BC?
Para mim, coisas positivas resultam de duas coisas: trabalho e determinação. Sou um homem de resultados. Sempre agirei nesta direção.
Os juros irão baixar?
Sobre juros, inflação, questões específicas, tenho de, primeiro, me dirigir ao Senado. Lá explicarei nossos planos.
Até há pouco tempo o sr. defendia o Estado mínimo. Onde existe convergência com o programa do PT?
Temos as mesmas preocupações com a inclusão social. Nossa convergência começou em 1994, com o projeto que resultou na Fundação Travessia, que cuida de meninos de rua. Ao mesmo tempo, há a crença em uma atividade produtiva eficiente, justa e com muita probidade.
A estabilidade econômica está em suas mãos…
Nas mãos de Lula. Nas minhas ainda não, porque não fui aprovado pelo Senado. Se for, certamente terei uma boa parcela de responsabilidade.
O sr. sonha ser presidente da República?
Todos os brasileiros com um mínimo de civilidade
querem isso. Eu também.