O banqueiro Olavo Setubal, presidente do conselho do Banco Itaú, reuniu analistas e investidores na terça-feira 30 para apresentar os resultados de suas empresas no primeiro semestre. Nesta rara aparição pública, o veterano financista passou a economia brasileira em revista. Na ocasião, Setubal apontou à DINHEIRO dois caminhos para o grupo financeiro que ajudou a criar: a manutenção da fé (e dos investimentos) na economia brasileira e a internacionalização. Para ele, o Itaú já cresceu o que podia no País. Chegou, portanto, a hora de olhar para fora. ?O futuro só pode ser internacional.?

Involuntariamente, Setubal faz lembrar a célebre frase de Mário Amato, quando presidente da Fiesp: ?a saída é Cumbica?, disse, ameaçando uma debandada de 800 mil empresários caso Lula vencesse as eleições de 1989. A saída de Setubal não é a da fuga. O que ele sugere é um vôo para a conquista de novos mercados. Gigante no Brasil, o Itaú tem uma presença ainda tímida no exterior. Como banco de varejo, limita-se a uma subsidiária na Argentina e a uma operação para dekasseguis no Japão. Setubal não dá pistas da direção que pretende tomar. Mas, para os especialistas, há um rumo natural a seguir. ?Faria sentido investir na América Latina, sobretudo na Argentina?, diz Pedro Guimarães, analista do Pactual. ?Lá, a escala do Itaú pode fazer a diferença.?

A economia segundo Olavo

Na terça-feira 30, o presidente do conselho do Itaú falou a uma platéia de investidores e concedeu entrevista exclusiva à DINHEIRO. Confira, a seguir, um resumo de sua análise.

? Presente e futuro do Itaú: ?O êxito do banco hoje me deixa até surpreso. Quando eu o assumi, ele tinha 22 agências. Hoje, tem 4 mil. Nunca imaginei que nós viéssemos a ter um sucesso tão grande. O futuro só pode ser internacional. Aqui no Brasil já não dá mais para crescer.

? A resistência da economia: ?Quanto a economia é prejudicada pela crise? Nada. Na minha opinião, muito pouco. Apesar dos problemas políticos atuais, a economia segue bem, sem sobressaltos, dentro da normalidade legal e democrática. Sem dúvida, é um grande avanço.

? Aperto necessário: ?Por conta da política de contenção de demanda que foi seguida pelo Banco Central desde setembro de 2004, o primeiro trimestre de 2005 foi difícil. Mas ela, entretanto, criou base sólidas para o crescimento equilibrado, sem inflação. A fortaleza do setor exportador surpreendeu positivamente.

? Bom momento para o setor: ?Neste primeiro trimestre, a carteira de crédito total dos bancos cresceu 5% em termos reais pela primeira vez em 10 anos, aumentando seu peso no PIB para 27%?

? Perspectivas positivas: ?A sociedade aprendeu que a austeridade fiscal é uma imposição, ou seja, condição imprescindível para que o País continue na rota da estabilidade. Tenho a convicção de que isso veio para ficar. É uma nova etapa da economia, da política e do Estado brasileiro.