22/12/2004 - 8:00
Uma leva de bancos estrangeiros que andavam sumidos do cenário financeiro nacional se prepara para fazer um desembarque triunfante. Na lista aparecem nomes consagrados no mercado internacional, como Deutsche Bank, Merril Lynch, ING Bank e o Société Générale, que já começaram a sair da surdina, na qual se limitavam a fazer operações de tesouraria nos últimos quatro anos. ?A matriz deu o sinal verde para os novos projetos no Brasil?, diz Deiwes Rubira de Assis, presidente do holandês ING, que foi uma das primeiras instituições a encerrarem as atividades no mercado de capitais nacional no final dos anos 90. Na esteira, foram outras multinacionais, assustadas com os efeitos da seqüência de crises econômicas da Ásia, Rússia, Argentina e, por último, o risco da eleição presidencial brasileira em 2002. Agora o movimento é inverso. O ING, por exemplo, retoma as operações de captação e financiamento corporativo e as outras grifes o acompanham. Querem aproveitar dos resultados da Bolsa e da economia.
O Deutsche Bank, que está fora do mercado de capitais há dois anos, quer recuperar o tempo perdido. O banco alemão retoma suas atividades por meio da Deutsche IXE Brasil, uma parceria entre o Deutsche (40%) e o mexicano IXE Grupo Financeiro (60%). A Deutsche IXE cuida da parte de análise e pesquisa e a corretora fica com as operações. Serão retomadas, também, as estruturações de emissões de ações. ?Ampliaremos a oferta de produtos?, diz Roger Karam, presi-
dente do Deutsche Bank no Brasil.
O interesse dos bancos estrangeiros pelo Brasil cresce à medida que melhoram as perspectivas econômicas do País. ?O mercado de capitais está se tornando uma alternativa de financiamento para as empresas, e os bancos estão se preparando para atuar nesse cenário?, diz Ricardo Baldin, da PricewaterhouseCoopers. Ele lembra que, em 2007, completará 20 anos da última falta de pagamento da dívida externa brasileira. ?A classificação de risco do Brasil irá cair em 100 pontos.? Para não perder o bonde de boas oportunidades, a Merril Lynch também está aumentando sua presença no Brasil, principalmente nos lançamentos de ações e abertura de capital, emissões de dívida (soberana e corporativa), fusões e aquisições. Neste ano, a instituição americana liderou as operações de venda de ações, levando-se em consideração o volume ? US$ 1,85 bilhão em cinco emissões ( Gol e CPFL Energia).
O intenso movimento chamou atenção do presidente mundial do Société Générale, Daniel Bouton, que veio ao País conferir as perspectivas de negócios verde-e-amarelo. Desde março, o banco francês mudou o foco de atuação no Brasil. Encerrou as atividades de leasing e serviços para empresas de médio e pequeno porte, para apostar no financiamento para as grandes companhias, usando os mais diversos ativos ? operações na BM&F e Bovespa. ?O teste deu certo. Estamos prontos para crescer?, diz a gerente de operações Anne Chone.
E até quem ainda está fora do mercado nacional já marcou data para o desembarque. A dupla austríaca Christian Baha, de 35 anos, e Christian Halper, 35 anos, donos da empresa de gestão de recursos Quadriga Group, abrirá um escritório em São Paulo. Na bagagem, eles trazem os fundos de commodities ? última moda entre os americanos. A empresa administra o Quadriga Superfund, que tem patrimônio de US$ 1,75 bilhão e está na lista dos melhores fundos da Bolsa de Chicago. ?O setor de commodities brasileiro se apresenta muito promissor?, diz o presidente da Quadriga, Christian Baha. Na primeira fase, a empresa austríaca prestará consultoria. O próximo passo será o lançamento de uma aplicação private. ![]()