Participação, justiça social, esportes. Esses são os lemas do Pan do Brasil, certo? Errado. Pelo menos não é o que acontece na prática, dizem os membros do Comitê Social do Pan, um grupo formado em abril de 2005 por faculdades, federações de moradores, institutos de análise e ONGs para estudar o impacto dos jogos no Rio de Janeiro. Eles têm feito barulho. Muito barulho. É que, de acordo com a associação, o poder executor do evento não tem cumprido o que prometeu durante a candidatura da cidade para sediar o Pan. ?Tentamos sempre manter um pensamento crítico em relação aos jogos. Cobramos os compromissos assumidos no decreto que criou a Agenda Social do Pan?, diz Bruno Lopes, economista do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), uma das entidades que fazem parte do Comitê. O decreto em questão, de número 24227, foi editado em 20 de maio de 2004 e contemplava metas sociais assumidas pelo Brasil perante as Nações Unidas, levando em conta tópicos como o Índice de Desenvolvimento Humano dos bairros do Rio e ações objetivas para reduzir a pobreza e as desigualdades na cidade.

Mas, segundo Lopes, dos 43 artigos da redaçãooriginal, apenas 14 foram postos em prática até agora. Entre os que ficaram de fora, há projetos de porte, como a construção da linha de metrô ligando as zonas oeste e sul e a adaptação de todos os edifícios públicos da cidade às necessidades dos portadores de deficiência física até 2007. ?Eles reescreveram a Agenda com as 14 metas atingidas e a colocaram no site da Prefeitura do Rio. Quando denunciamos, tiraram o site do ar?, afirma o economista. É longa a lista de reivindicações levadas a Ruy César, titular da Secretaria Especial do Pan. O Comitê alega que César eximiu-se de responsabilidade sobre os assuntos da Agenda, atribuindo-a a outras pastas. Procurada por DINHEIRO, a assessoria de César não forneceu respostas até o fechamento desta edição. Pelo jeito, nem tudo é festa no Pan.