04/10/2006 - 7:00
A indústria da tecnologia tem um canto da sereia e ele é compatível com MP3, GIF, doc ou qualquer outro formato de arquivo que exista ou venha a ser criado. Ele entoa: a troca dos equipamentos tem de ser contínua e constante, mesmo que o consumidor, na realidade, não precise muito de um novo. Dá para desfilar com um celular que parece um tijolo e só serve para chamadas telefônicas? Até dá, mas se ele tirar fotos, tocar música, receber email ou for bem fininho, é bem melhor. E computador lento? Definitivamente irritante e impossível de trabalhar. Monitor de tubo? Entrou para a pré-história e foi parar na pilha de e-lixo, o lixo eletrônico que forma cenários dignos de ficção científica e das mais aterrorizantes. Estimativas indicam que entre 20 milhões e 50 milhões de toneladas de e-lixo são produzidas por ano, em sua maioria por países desenvolvidos. O problema é que a categoria de dejetos que mais cresce, segundo a União Européia, acaba em países em desenvolvimento, principalmente Índia e China. Ali, um contingente de miseráveis, incluindo-se milhares de crianças, vasculha os dejetos que formam um coquetel tóxico atrás de peças que possam ser vendidas.
Agora, governos e ONGs têm tentado fazer com que a sereia assuma sua parte da responsabilidade nesse quadro. Na Europa, as empresas de tecnologia estão sendo obrigadas a reduzir os materiais tóxicos usados na produção de equipamentos eletrônicos. Já na Califórnia, lojas de celulares são obrigadas a recolher e reciclar aparelhos usados. A iniciativa que teve maior impacto, no entanto, foi o Guia dos Eletroeletrônicos Verdes, divulgado pelo Greenpeace semana passada. As maiores fabricantes de computadores e celulares foram avaliadas de acordo com suas práticas para a eliminação de componentes químicos danosos e por sua responsabilidade no recolhimento de equipamentos, depois de descartados pelos consumidores. Nenhuma empresa tirou a nota máxima, mas a fabricante de computadores Dell e a de celulares Nokia tiraram as notas mais altas, 7 (veja tabela). ?Ainda temos muito a fazer, mas conseguimos uma boa solução, atrelando metas de responsabilidade corporativa às dos negócios?, disse Bryant Hilton, responsável pela área na Dell. ?Em alguns casos, como no recolhimento de PCs usados em empresas, conseguimos até fazer dinheiro?. As piores notas ficaram com a Motorola, Acer e, surpreendentemente, a badalada Apple. ![]()