ouro.jpg

 

O ouro começou o ano mais reluzente do que nunca. Na quinta- feira 10, o precioso metal bateu o recorde de preço ao ser negociado a US$ 895,05 a onça e produziu um brilho que não se via há 28 anos. Essa aura parece que será duradoura. A sede internacional por esse ativo financeiro está grande, podendo elevar ainda mais a cotação no mercado externo. A incerteza rondando os EUA, a crise de liquidez nas instituições financeiras, que foram socorridas pelos Bancos Centrais, e o petróleo acima de US$ 100 fizeram o investidor correr para essa commodity. Essas tensões, somadas às possibilidades de conflitos no Oriente Médio, levaram o Fórum Econômico Mundial a publicar na semana passada um estudo mostrando que neste ano o risco será o maior dos últimos dez anos. ?O ouro voltou a ser o porto seguro do investidor lá fora?, diz Alberto Dwek, diretor da Corretora Souza Barros.

No Brasil, não é bem assim. O ouro, que já foi uma das estrelas do mercado nos tempos de inflação alta, derreteu. A média diária de negociação na BM&F no ano passado foi a menor em cinco anos: US$ 417 mil. Em 2006, era de US$ 1 milhão. Ainda assim, um volume insignificante se comparado ao período da Guerra do Iraque, no início dos anos 90, quando a movimentação superou os US$ 100 milhões ao dia. Mas, com o aumento das cotações no Exterior, o investidor indaga se chegou o momento de comprar umas barrinhas de ouro, por precaução. Será?

Não necessariamente. Apesar de ter figurado entre os melhores retornos no ano passado (11,26%), o ouro é considerado um investimento secundário. A principal razão é a falta de liquidez. ?Outros ativos foram criados, como os fundos multimercado, e o ouro ficou apagado?, afirma Marcos Amaral, diretor da área BM&F da Fator Corretora. Não existem barreiras para se comprar ouro no Brasil. E é relativamente simples. A BM&F permite a negociação à vista. Na compra, é gerado um boleto de pagamento para o dia seguinte e a custódia já sai em nome do comprador. A barra de 250 gramas é a mais negociada. Por R$ 12.537,45, levam-se 249,75 gramas de ouro e 25 de liga. Não é preciso retirar a barra. O ouro pode ficar sob a custódia dos bancos autorizados pela BM&F.