A Oxiteno, braço químico do grupo Ultra, vai investir US$ 113 milhões para erguer uma nova fábrica em seu complexo industrial em Pasadena, no Texas (EUA). A companhia vai construir uma unidade para produzir formulações para defensivos agrícolas e tensoativos (utilizado para fazer detergentes e produtos voltados para higiene pessoal), com capacidade instalada de 170 mil toneladas por ano.

O Ultra entrou no mercado americano em 2012, com a compra desse complexo, que estava praticamente desativado. Após investimentos de US$ 20 milhões, começou a produção de especialidades químicas para o mercado local. “Essa nova unidade vai permitir ao grupo elevar sua participação no mercado americano (hoje em 2%) para 10% nos próximos anos e elevar receita para US$ 400 milhões até 2022 (dos atuais US$ 150 milhões)”, afirmou João Parolin, diretor-superintendente da Oxiteno.

Líder no mercado de tensoativos no Brasil, a Oxiteno está elevando suas apostas fora do País. A empresa já tem unidades produtoras no México desde 2003, entrou na Venezuela quatro anos depois e comprou uma fábrica no Uruguai em 2012. A nova planta americana deve ficar pronta até o fim de 2017. A empresa não descarta fazer uma captação no mercado americano, a preços mais atrativos, para financiar a expansão.

Segundo Parolin, o investimento nos EUA se justifica pela demanda firme no mercado americano e custos de produção mais competitivos, uma vez que a matéria-prima é o “shale gas” (gás de xisto), mais barato do que a nafta (derivada do petróleo). “Estamos instalados no Texas, um polo petroquímico muito importante, o que nos dá vantagem competitiva.”

O Brasil representa 70% do total de faturamento da Oxiteno, que em 2014 foi de cerca de US$ 1,5 bilhão. Mas a fatia da receita do grupo fora do Brasil poderá crescer, à medida que outros mercados na América Latina ganham mais importância. Parolin reconhece que os preços da matéria-prima no Brasil não estão com preços competitivos, mas acredita na recuperação no longo prazo.

O mercado de tensoativos no mundo movimenta cerca de US$ 12 bilhões, segundo Parolin. “A expectativa é de que nos próximos dez anos haja uma expansão adicional de mais US$ 3 bilhões”, afirmou.

Projetos parados

Os investimentos no setor químico no País estão praticamente estagnados, segundo Fernando Figueiredo, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). O último aporte em projeto de unidade construída do zero foi feito pela Basf, que inaugurou no início deste ano uma fábrica de ácido acrílico no polo petroquímico de Camaçari (BA). O investimento, de cerca de R$ 2 bilhões, foi anunciado em 2012, antes da paralisia do setor.

“Outros dois importantes projetos foram colocados em ‘hold on’ (espera). Um deles é a produção de ABS (para produzir plástico de engenharia) pela Styrolution, também na Bahia, e outro da Synthos, no Rio Grande do Sul”, disse. “No mercado químico, o jargão ‘hold on’ significa uma espera de, no mínimo, 5 anos”, explicou.

De acordo com Figueiredo, muitas empresas deixam de investir no Brasil porque os preços da matéria-prima não estão competitivos. “Além disso, é preciso a garantia de fornecimento firme de nafta. Isso gera insegurança no mercado.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.