Dirigentes palestinos aceitaram, com reservas, neste domingo, a “proposta dos Estados Unidos” de realizar negociações indiretas com Israel, como forma de reativar o processo de paz, suspenso desde a ofensiva israelense da Faixa de Gaza, no final de 2008.

O anúncio do consentimento foi feito por Yasser Abed Rabbo, secretário-geral da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) em entrevista coletiva à imprensa em Ramallah (Cisjordânia), sede da Autoridade Palestina, do presidente Mahmud Abbas.

Segundo ele, “a direção palestina decidiu dar uma oportunidade à proposta americana de tentativa de acordo.

Esta decisão, ratificada pelo Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), soma-se ao apoio dado pelos ministros árabes das Relações Exteriores.

“É pouco provável que as conversações com o governo de (o primeiro-ministro israelense Benjamin) Netanyahu tenham êxito, mas queremos dar uma chance”, acrescentou.

As negociações indiretas serão realizadas através de encontros entre o enviado especial para o Oriente Médio dos Estados Unidos, Georges Mitchell, com ambas as partes, durante um período de quatro meses.

Os ministros árabes das Relações Exteriores já se mostraram favoráveis, na quarta-feira, no Cairo.

Abed Rabbo afirmou que estas discussões deverão focalizar-se prioritariamente nas fronteiras finais de um Estado palestino.

Destacou que o prosseguimento da colonização israelense na Cisjordânia ocupada, inclusive em Jerusalém Oriental, torna impossível as negociações diretas com israelenses, deixando a entender que também poderia ameaçar um diálogo indireto.

Israel se opõe a qualquer condição prévia para a retomada de conversações diretas, e propôs, no final de 2009, moratória de 10 meses na construção de novas casas em suas colônias levantadas na Cisjordania.

O esperado sinal verde para a iniciativa de diálogo indireto dado neste domingo pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), não obteve apoio total nas fileiras palestinas.

Duas facções de esquerda, o Partido Popular (ex-comunista) e a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), que são membros da OLP, expressaram sua oposição.

O movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, mas não faz parte da OLP, se opõe totalmente a qualquer discussão com Israel.

A decisão da OLP foi tomada num momento em que Mitchell inicia neste final de semana uma nova rodada de reuniões na região, às vésperas da chegada do vice-presidente americano Joe Biden.

Num informe interno do ministério israelense das Relações Exteriores, citado neste domingo pelo jornal Haaretz, Israel demonstra dúvidas sobre a determinação americana de relançar o processo de paz com os palestinos.

Considera, além disso, que Washington adotou posição favorável aos palestinos em seus contactos preliminares de abertura das negociações.

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