12/12/2010 - 2:11
Líderes palestinos acolheram neste domingo sem entusiasmo e com cepticismo as declarações da secretária americana de Estado, Hillary Clinton, para uma retomada das negociações indiretas de paz com Israel.
“Os Estados Unidos colocaram de volta na mesa as negociações indiretas com Israel, o que significa que eles não têm nada a propor no momento”, declarou à AFP o negociador palestino Mohammed Shtayyeh.
“Não é razoável que os Estados Unidos se abstenham de tomar uma posição deixando as partes negociarem sem fixar uma meta”, disse.
Shtayyeh recordou que “há dezenove anos, Israel e os palestinos negociam em vão”, em referência à conferência de Madri de 1991, que lançou o processo de paz, e pediu à Washington uma posição mais firme em relação a Israel.
Segundo ele, a posição deveria ser a de “reconhecer um Estado palestino nas fronteiras de antes da guerra árabe-israelense de 1967, com Jerusalém Oriental como capital”, ou, pelo menos, “anunciar que este será o objetivo final das negociações”.
Outro líder palestino, Yasser Abed Rabbo, conselheiro do presidente Mahmoud Abbas, não escondeu seu cepticismo.
“Não podemos voltar à velha maneira de negociações e às inúmeras reuniões” sem resultados, advertiu, em uma entrevista ao jornal Al Hayat, deixando a entender que os palestinos podem optar pela proclamação unilateral de sua independência.
Do lado israelense, o gabinete reunido neste domingo não reagiu oficialmente, mas deixou transparecer divergências internas.
Próximo de Netanyahu, o ministro do Meio Ambiente, Gilad Erdan, disse que o governo não estava disposto a discutir questões importantes com “um cronômetro nas mãos”, sob pressão americana.
O primeiro-ministro “continuará atuando pela paz partindo do princípio que seu preço não pode ser a ameaça da existência ou o futuro de Israel”, destacou.
Erdan descartou uma retirada total da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental anexada, argumentando que estes territórios se tornariam bases de ataque contra Israel por parte de militantes islâmicos aliados ao Irã.
Ao mesmo tempo, desmentiu o ministro do trabalhista da Defesa, Ehud Barak, que em Washington levantou a hipótese de uma partilha de Jerusalém sob um acordo de paz, opinião contrária à de Benjamin Netanyahu.
Sobre este ponto, Ehud Barak “não representa nem o governo, nem o primeiro-ministro”, disse Erdan.
Por sua vez, o ministro de Comércio e Indústria, o também trabalhista Binyamin Ben Eliezer, evocou a ameaça de uma saída de seu partido do governo se as “negociações de paz forem congeladas” devido à intransigência de Israel.
Na sexta-feira, Hillary Clinton propôs uma retomada das negociações indiretas para tirar o processo de paz do impasse sobre a questão dos assentamentos judaicos, exortando ambos os lados a enfrentar “sem demora” as questões-chave do tema, e anunciando que Washington será um interlocutor exigente.
Para isso, Washington enviou em um novo giro pela região o emissário americano George Mitchell, que na segunda-feira se reunirá com Netanyahu e com o presidente palestino, Mahmud Abbas.
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