Você está na sua sala, feliz com os negócios ? sim, eles vão bem! ? e, de repente, cai uma ?bomba? no seu colo: sua fábrica deixará de fazer um artigo que representa 80% da produção. Que notícia, hein? Foi assim que ela chegou a Eberhard Schrempf, presidente da Tritec Motors, fabricante de motores automotivos localizada em Campo Largo, Paraná. A empresa é fruto de uma parceria de US$ 500 milhões entre a alemã BMW e a americana Chrysler. Faturou US$ 132 milhões no ano passado basicamente fazendo os motores do Mini, o compacto da BMW montado em Oxford, Inglaterra. Como a produção inteira é exportada e tem comprador certo, Schrempf estava tranqüilo. Mas uma recente parceria da BMW com a francesa PSA Peugeot Citroën jogou água no chope do alemão. A partir de 2007, os motores do Mini passarão a ser produzidos em outro lugar, em algumas das cinco plantas do grupo PSA espalhadas ao redor do mundo. Para a Tritec, que também equipa o Neon e o PT Cruiser, ambos da Chrysler, é 80% do seu negócio que está em jogo ? ou 136 mil das 170 mil unidades a serem produzidas em 2002. ?Não corremos risco?, avalia Schrempf. ?Já estamos trabalhando para compensar esta perda.?

O plano é conquistar novos clientes ? e não só no setor automobilístico. Já há negociações para fabricar motores de barco, geradores e sistemas de transporte para portos e aeroportos. Até o pequeno Smart, da Mercedes, aparece como possível saída. ?Sim, somos fornecedores potenciais de motores para o Smart?, confirma Schrempf. Mas, afinal, por que a Tritec vai deixar de fazer os motores do Mini? ?Guerra comercial?, diz o analista Glauco Arbix. ?Depois da criação da Tritec, a Chrysler foi vendida à Mercedes, que é a rival número um da BMW. Em Campo Largo, elas estão dormindo com o inimigo.? Ou seja, com a transferência da produção de motores do Mini para a PSA, BMW e Mercedes mantêm distância suficiente uma da outra para não encerrar uma operação que consumiu investimentos tão grandes. Mesmo assim, para a Tritec, o golpe é duro, pois o Mini é um sucesso de vendas. Só nos Estados Unidos, entre janeiro e maio, foram vendidas 10 mil unidades. É todo o volume que havia sido programado para o ano todo.