07/12/2014 - 16:23
Para o chefe do executivo afegão, Abdullah Abdullah, a retirada das tropas da Otan do Afeganistão é “muito abrupta” e acrescentou que o país precisa de aviões militares e apoio aéreo, revela o jornal Sunday Times deste domingo.
Ao comentar o fim da missão de combate da Otan no Afganistão, Abdullah Abdullah, que participou da conferência sobre Afeganistão organizada nesta quinta-feira em Londres, declarou ao jornal britânico que “é muito abrupta”.
“Há dois anos, tínhamos 150.000 soldados da Otan e muitos aviões e helicópteros. Em menos de dois meses, só haverá 12.000. Precisamos de apoio aéreo para a retirada médica dos feridos, de serviços de inteligência e de aviões rápidos”, declarou.
No sábado, o secretário de Defesa dos Estados Unidos Chuck Hagel, em visita a Cabul, anunciou que pelo menos mais mil soldados americanos ficarão no Afeganistão no ano que vem para compensar a saída das forças da Otan.
O Sunday Times afirma que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, se comprometeu com o presidente afegão Ashraf Ghani a ajudá-lo com a obtenção do que o país precisa com seus aliados Estados Unidos, Alemanha e Turquia.
“Não planejamos enviar ao Afeganistão aviões militares nem recursos para retiradas de feridos”, disse um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro ao jornal. “Nosso papel se limitará à escola de formação de oficiais”, acrescentou.
O fim da missão de combate da Otan no Afeganistão, integrada principalmente por soldados americanos, está prevista para o dia 31 de dezembro.
Cerca de 12.500 soldados, entre eles 9.000 americanos, continuarão no país para ajudar a formar o exército afegão, na operação “Apoio Decidido”.
O Afeganistão chegou a contar com 130.000 soldados da Otan em 2010.
Nessas últimas semanas, os talibãs mantiveram a pressão sobre o regime em Cabul com umaonda de atentados na capital.
O exército e a polícia, primeiros alvos dos talibãs sofreram baixas significativas em 2014.