06/10/2010 - 21:00
A votação de quase 20% surpreendeu. Marina Silva entrou nesta eleição como azarão e saiu como dona de um capital político que pode valer muito no segundo turno. Na noite de domingo 3, porém, Marina fez suspense sobre quem vai tentar ajudar com seus 19,5 milhões de votos. “Defendo uma plenária para avaliar nosso posicionamento”, afirmou em São Paulo. Em clima de vitória por ter colocado o tema sustentabilidade na campanha, a candidata fugiu das perguntas sobre quem terá o apoio do PV na nova etapa, mas a especulação sobre o destino dos votos verdes já criou um racha no partido.

Indefinição: com 19,5 milhões de votos, Marina defende uma plenária no PV para decidir a posição no segundo turno
A pressão para manter o alinhamento feito em alguns Estados, como no Rio de Janeiro, e apoiar o tucano José Serra é grande, mas encontra resistência no grupo encabeçado por Marina, que prefere não apoiar nenhum dos dois candidatos – alas do PSDB defendem até que ela seja vice, no lugar de Índio da Costa.
A candidata teve um crescimento considerável nos últimos dias e um desempenho surpreendente nas urnas não previsto por nenhum dos institutos de pesquisa. Pulou de 11% das intenções de voto no princípio de setembro para quase 20% na apuração final. “Não existe dúvida que ela será candidata novamente em 2014”, afirmou o candidato do PV ao Senado por São Paulo, Ricardo Young.
Para o cientista político Antônio Testa, da Universidade de Brasília, Marina conseguiu arrebanhar votos entre segmentos do eleitorado que tradicionalmente não se unem em torno de um único candidato. Esses seriam os evangélicos, os jovens e a elite intelectualizada.
Essa identificação confere a Marina um valioso dote que pode inserir o discurso da economia de baixo carbono definitivamente nos programas de governo de Dilma e de Serra, que disputarão o eleitorado verde. “A onda verde ainda não vence o Bolsa Família, mas nos grandes centros do País já mostrou que atrai um bom pedaço do eleitorado”, analisa.
O cientista político Antônio Carlos Peixoto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, avalia que, pelo perfil do eleitorado de Marina – jovens, eleitores de classe média e alta –, a possibilidade de seu apoio migrar para o tucano são maiores. “Eles transitaram no mesmo eleitorado e isso pode favorecer o Serra”, diz.