A Paramount Skydance e a Warner Bros Discovery alcançaram um acordo com a Califórnia e outros 11 Estados norte-americanos, que haviam protocolado uma ação para impedir a aquisição de US$ 110 bilhões. O anúncio, feito nesta segunda-feira (21) por uma fonte a par do assunto, remove um dos últimos obstáculos regulatórios para um negócio que promete redefinir Hollywood e o cenário da mídia global.

O que aconteceu

  • A aquisição da Warner Bros Discovery pela Paramount Skydance avança após acordo com 12 Estados dos EUA.
  • O pacto inclui a criação de conselhos editoriais independentes para CNN e CBS, garantindo a autonomia jornalística.
  • Haverá uma multa de US$ 30 milhões por filme caso a Paramount não lance 30 títulos anualmente, conforme prometido.

O acordo alcançado pela Paramount Skydance remove um grande impedimento para a finalização de uma das maiores fusões na história da mídia. Com isso, a Paramount pode seguir adiante com a união que congregará dois dos principais estúdios cinematográficos de Hollywood, dois relevantes serviços de streaming e duas das maiores operações de notícias por cabo sob uma única propriedade.

A agência Reuters foi a primeira a noticiar na sexta-feira anterior a possibilidade de um entendimento entre a Paramount e os Estados. Entre os termos em discussão, monitoramento independente do conteúdo da CNN e um compromisso relacionado ao número de lançamentos cinematográficos já eram pautas centrais.

Detalhes e impactos do acordo

O Wall Street Journal informou no domingo que as negociações incluíram uma série de concessões por parte da Paramount Skydance. Dentre elas, destacam-se um investimento de US$ 1,5 bilhão em produção no Estado da Califórnia e o compromisso de não vender nenhum dos estúdios envolvidos na fusão. Além disso, foram consideradas possíveis penalidades caso a Paramount não cumpra a promessa de produzir 30 filmes por ano após a fusão ser concretizada.

Outras medidas que foram avaliadas, conforme o WSJ, envolveriam a venda de alguns canais a cabo e a instituição de um conselho dedicado a assegurar a independência editorial da CNN. Essas cláusulas refletem a preocupação dos Estados com a concentração de poder e o impacto na diversidade de conteúdo e informação.

Embora os reguladores do governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já tivessem aprovado o acordo, uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais, liderada por Rob Bonta, da Califórnia, havia iniciado uma ação judicial em julho. O objetivo era bloquear a fusão, sob o argumento de que ela reduziria a concorrência e criaria um gigante da mídia com capacidade para elevar os preços no cinema e na televisão, impactando diretamente o consumidor.

Por que a pressa no acordo?

A concretização deste acordo é fundamental para a Paramount evitar o pagamento de uma multa diária de US$ 7 milhões, devida aos acionistas da Warner Bros. Essa penalidade seria acionada para cada dia de atraso no fechamento do negócio após 30 de setembro. A pressão financeira adiciona uma camada de urgência à resolução das pendências regulatórias.

Em outras jurisdições ao redor do mundo, como a União Europeia e o Reino Unido, os órgãos reguladores de defesa da concorrência já haviam concedido aprovação para a aquisição. Isso demonstra que, apesar das preocupações estaduais nos EUA, o cenário internacional se mostrava mais permissivo à união dos conglomerados de mídia.

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