02/01/2023 - 11:21
O Parlamento Europeu anunciou, nesta segunda-feira (2), que iniciou o processo de suspensão da imunidade de dois eurodeputados, a pedido das autoridades judiciárias da Bélgica, no marco de uma trama de corrupção que envolveria o Catar.
Os nomes dos legisladores não foram divulgados, mas fontes próximas à investigação disseram à AFP que se trata do representante italiano Andrea Cozzolino e do belga Marc Tarabella.
Ambos estão na mira da investigação que levou as autoridades belgas a prenderem uma das vice-presidentes da instituição, a eurodeputada socialista grega Eva Kaili, em 9 de dezembro.
Ademais, foram detidos seu companheiro, o italiano Francesco Giorgi, que também é assistente parlamentar de Cozzolino; o ex-deputado socialista italiano Pier-Antonio Panzeri; e o líder de uma ONG, Niccolo Figa-Talamanca.
Os quatro foram acusados de “pertencimento a uma organização criminosa”, “lavagem de dinheiro” e “corrupção”, em um escândalo que abalou o Parlamento Europeu e gerou tensões entre o Catar e a UE.
Kaili não gozava de imunidade parlamentar, porque o crime foi descoberto em flagrante, com “sacos de dinheiro vivo” encontrados em sua casa.
Em 13 de dezembro, ela foi destituída de seu título de vice-presidente por uma votação quase unânime dos eurodeputados.
Ao todo, os investigadores belgas apreenderam 1,5 milhão de euros em dinheiro em espécie, segundo uma fonte judicial, nos domicílios de Panzeri e de Kaili, assim como em uma mala transportada por seu pai.
– ‘Sem impunidade’ –
“Em resposta a um pedido das autoridades judiciais belgas, promovi um processo urgente para suspender a imunidade de dois membros do Parlamento. Não há imunidade, absolutamente nenhuma”, declarou a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, em mensagem no twitter.
“O Parlamento estará do lado da lei. A corrupção não pode beneficiar ninguém e faremos todo o possível para combatê-la”, acrescentou.
Metsola comunicará pessoalmente este pedido aos eurodeputados durante a próxima sessão plenária, que terá início no dia 16 de janeiro em Estrasburgo (França), onde fica a outra sede do Parlamento Europeu.
Em seguida, a Comissão Parlamentar de Assuntos Jurídicos (JURI) examinará a petição para levantar a imunidade.
Organizará, se necessário, interrogatórios com os afetados e proporá uma decisão final a ser votada pelos eurodeputados.
A presidente do Parlamento “pediu a todos os serviços e comissões que priorizem este procedimento para que termine no dia 13 de fevereiro”.
A bancada dos socialistas (S&D) já havia decidido em 12 de dezembro suspender Cozzolino do cargo de coordenador desse grupo no Parlamento Europeu, enquanto Tarabella suspendeu sua filiação ao S&D por conta própria.
Ambos os eurodeputados também foram suspensos por seus respectivos partidos nacionais, o Partido Socialista Belga e o Partido Democrático Italiano.
