O feriado de 7 de Setembro, na quarta-feira, foi atípico para mais de três mil metalúrgicos da Fiat, em Betim, na grande Belo Horizonte. O descanso no meio da semana, que em outros tempos seria folga de um dia, se tornou especialmente prolongado por determinação do presidente da montadora, Cledorvino Belini. A fábrica mineira, a maior do mundo em volume de produção, funcionou em ritmo lento, do sábado 3 até a quarta-feira 7, retornando à normalidade somente na quinta-feira 8. Em dias normais, a unidade montaria quase três carros por minuto, mas não produziu o equivalente a um automóvel por hora. Como a Fiat, as fábricas da Volkswagen, da Scania, da Ford e da GM deram folga a seus funcionários em todo o País.  O descanso forçado beneficiou mais de dez mil trabalhadores da indústria automobilística. 

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Produção recorde, pátio lotado: montadoras fabricaram acima do ritmo de vendas, e agora pisam no freio

Seriam essas paralisações um sinal de esfriamento do setor automobilístico brasileiro? Longe disso. Entre janeiro e agosto, as vendas de automóveis novos cresceram 8% na comparação com o mesmo período de 2010 – com 2,37 milhões de unidades –, enquanto a produção avançou 4,4%, renovando todos os recordes. Diante desses números, as interrupções coletivas não fariam muito sentido, mas hoje fazem. Segundo as montadoras, as pausas nas linhas de produção ocorreram – e continuarão ocorrendo até o Natal – simplesmente pela ausência de espaço para estocar a frota. Até o início de setembro, as fabricantes mantiveram 398,79 mil unidades nos pátios, segunda a Anfavea, a  associação nacional das montadoras, o que equivale a 37 dias de vendas – um dia a mais que no mês anterior.  

A rotatividade dos estoques não chega a um patamar tão elevado desde a crise, quando atingiu 56 dias, em novembro de 2008.  A origem, porém, é bem diferente de três anos atrás, quando a crise estourou no mundo inteiro e paralisou as vendas.“As paradas não têm qualquer relação com o desempenho do mercado”, afirma Belini,  que também é presidente da Anfavea. Para ele, trata-se de um movimento de ajuste “absolutamente normal”. “Temos um ano bom, com grande volume de produção e um crescimento sustentável”, diz. Para Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, a federação que representa as concessionárias, as paralisações são essenciais, pois com a indústria a pleno vapor, uma boa parte da estocagem dos veículos está sendo transferida para os revendedores. “O nível de estoques nas lojas está chegando ao limite”, diz Reze. “Mesmo com as vendas em alta, está complicado administrar tantos carros nas lojas”, afirma Reze.