AMILTON VISCONDE FILHO, DE 45 anos, construiu sua carreira empresarial na indústria farmacêutica. Foi ele quem ajudou o pai, Amilton Visconde, a transformar a Biosintética Farmacêutica em uma das potências nacionais do setor. A venda do negócio para o concorrente Aché, em 2005, tinha tudo para colocar um ponto final nessa trajetória. Afinal, os estimados R$ 600 milhões embolsados com a transação eram mais que suficientes para bancar uma gorda e precoce aposentadoria. Entretanto, falou mais alto a veia empreendedora e a ligação com o setor. No início do mês, Visconde Filho cortou a fita de inauguração da Segmenta. Localizada em Ribeirão Preto (SP), a empresa é especializada na produção de soluções parenterais (soros) e a expectativa é faturar R$ 100 milhões no primeiro ano. Fruto de um investimento de R$ 60 milhões, a companhia nasce para disputar um mercado que movimenta R$ 1 bilhão. “Escolhi um segmento no qual poderia assumir uma posição de destaque, sem ter de vender a alma ao diabo”, diz Visconde Filho, em uma referência aos medicamentos genéricos cuja margem de ganho é bastante reduzida. A volta à ativa foi facilitada por uma série de coincidências e pela visão estratégica do empresário. Com a venda da Biosintética, a família ficou impedida de produzir medicamentos por três anos.

 

Ocorre que o “período de quarentena” nunca valeu para soros hospitalares. “Os controladores do Aché rejeitaram a Glicolabor, divisão da Biosintética que cuidava desse insumo”, explica. Sem ter o que fazer com a empresa, Visconde Filho deixou-a operando em marcha lenta. Na época, as receitas anuais somavam R$ 25 milhões, suficientes para cobrir os custos. No final de 2006, no entanto, Visconde Filho soube de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que endureceria as regras para a fabricação de embalagens de soro, a partir de novembro de 2008. Uma clara ameaça às 17 companhias do setor, já que boa parte delas é de pequeno porte e está defasada tecnologicamente. A regra, porém, abria espaço para quem tivesse recursos para investir. O empresário, então, montou um plano de negócios e bateu às portas do BNDES. Conseguiu um financiamento de R$ 48 milhões. Depois, fez um périplo pela Europa e pelos Estados Unidos em busca de fornecedores de equipamentos. Fechou com a Plumat, da Alemanha.

Sou um empreendedor nato
VISCONDE FILHO, PRESIDENTE DA SEGMENTA

A fábrica da Glicolabor foi transformada em depósito. Ao seu lado foi construída uma moderna planta vertical de seis mil metros quadrados, que opera em sistema fechado (desde a produção das embalagens até o soro) e totalmente automatizada. “Montamos essa operação em um prazo recorde de um ano. Da Glicolabor, nós só aproveitamos os funcionários”, conta Visconde Filho. A área de soros, contudo, não é a única aposta do empresário. Para explorar melhor esse canal de distribuição, a Segmenta lançou uma linha de saneantes hospitalares. Agora, ele pretende investir em insumos complementares à prática médica, como o estent – usado para desobstruir artérias. “Saímos mos das prateleiras das farmácias para o almoxarifado dos hospitais”, diz. O dia-a-dia da Segmenta é tocado por executivos contratados, cabendo a Visconde Filho, formado em administração de empresas, a missão de traçar as estratégias de atuação. Isso, então, significa dizer que a família Visconde desistiu de produzir medicamentos? O empresário dá a entender que não. “Sou um empreendedor nato e tenho um vínculo muito forte com o setor farmacêutico”.