19/12/2007 - 8:00
Até hoje, a marca Pelé desperta nas pessoas o mesmo encanto que as jogadas protagonizadas pelo rei do futebol dentro de campo. No Brasil, nos Estados Unidos, na Europa a assinatura do craque ajuda a vender produtos e serviços. Agora, essa magia parece ter chegado ao Oriente Médio. Uma equipe do Grupo Fator, controlador de um banco de investimentos no Brasil, voltou recentemente de uma viagem a Abu Dhabi, um dos Estados dos Emirados Árabes Unidos, com um projeto grandioso, cujo volume de investimentos pode bater em US$ 600 milhões. Trata-se de um imenso parque temático voltado para o futebol que levaria o nome de Campus Pelé. “Fomos ao Oriente Médio com cinco ou seis projetos de negócios para apresentar aos investidores locais”, conta Venilton Tadini, diretor do Fator. “Durante as conversas, falamos do Campus Pelé e eles se interessaram.” O Campus Pelé citado por Tadini é um fundo de investimentos para desenvolver jogadores de futebol no interior do Estado de São Paulo e negociá-los, em um segundo momento, com clubes internacionais. Lançado em fevereiro deste ano, já captou US$ 12 milhões. A previsão é chegar a um volume de US$ 25 a US$ 30 milhões. O Campus Pelé vai farejar talentos principalmente em comunidades carentes. Recrutados, os jovens obrigatoriamente ingressam num programa educacional mantido pelo projeto. “Os árabes gostaram da idéia”, diz Tadini. “Mas eles queriam mais do que isso.”
Na verdade, o ministro Nahayan Mabarak Al Nahayan, membro da família real e anfitrião dos brasileiros em Abu Dhabi, viu ali uma oportunidade. O programa se encaixava na estratégia dos Emirados de reduzir a dependência da economia em relação ao petróleo, investindo no turismo de luxo. Dinheiro não é problema. Com o barril de petróleo na casa dos US$ 100, os países árabes têm fôlego para investir US$ 5 bilhões por semana, segundo o Lehman Brothers. Os brasileiros saíram de lá com um memorando de intenções assinado por Al Nahayan e uma tarefa: detalhar o projeto e apresentar um estudo de viabilidade econômica até março de 2008. Numa área de 900 mil metros quadrados, o parque abrigará um hotel, um centro de convenções, além de uma arena esportiva. Mas a grande atração deverá ser o Museu da Arte Futebolística e o chamado planetário. Paredes e teto são revestidos com imensas telas de cristal líquido que transmitirão imagens de futebol permanentemente, contarão a história do esporte. Ali será possível participar de um bate-bola com craques do presente e do passado em tamanho natural, num impressionante game de realidade virtual. O museu e planetário formarão com a arena esportiva um conjunto que se assemelha (fisicamente) ao Congresso Nacional em Brasília – uma bola de futebol cortada ao meio, com metade voltada para baixo e a outra metade para cima.
O programa de formação de jovens jogadores mantido no Brasil também será importado para Abu Dhabi. “Vamos levar toda nossa tecnologia de treinamento, identificação e desenvolvimento de habilidades individuais e condicionamento físico para lá”, afirma Tadini. “Há 15 países na região que podem usufruir dessa estrutura. Eles só não precisam do componente social do Campus Pelé brasileiro, pois possuem um forte sistema educacional e de apoio social.”