09/11/2014 - 21:05
O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, partiu neste domingo para uma viagem comercial de seis dias à China e à Austrália, deixando um país chocado e enfurecido pelo anúncio de que os 43 estudantes desaparecidos foram massacrados.
Peña Nieto decolou de madrugada rumo à China, onde assistirá à cúpula do Fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec, na sigla em inglês), em meio à pior crise de seu governo desde que assumiu o cargo em 2012.
O governo federal tem sido duramente criticado por levar mais de uma semana para assumir a investigação e por ainda não ter, 44 dias depois dos desaparecimentos, provas sólidas e conclusivas do paradeiro dos jovens.
“A viagem é um escárnio. Mostra sua falta de qualidade moral, brincando com os sentimentos e com a dignidade de 43 estudantes, e é um sinal de que não tem a situação sob controle”, criticou neste domingo o estudante Juan González, da escola da comunidade Ayotzinapa, no estado de Guerrero (sul), a mesma dos jovens desaparecidos.
O presidente Peña Nieto embarcou poucas horas depois de uma nova manifestação multitudinária, que terminou no ataque de um pequeno grupo radical ao emblemático Palácio Nacional, no coração da Cidade do México.
Na madrugada deste domingo, esse grupo tentou derrubar a porta principal do Palácio Nacional. Pelo menos 20 pessoas, algumas com o rosto coberto, tentaram forçar as portas com pedaços de ferro, chegando a atear fogo na entrada com coquetéis molotov, sem conseguir entrar no palácio. O prédio é usado pelo presidente Enrique Peña Nieto apenas para cerimônias oficiais.
Depois de cerca de duas horas e meia, policiais e homens da guarda presidencial retomaram a segurança do edifício, afastando os manifestantes.
Um porta-voz da Procuradoria Geral disse à AFP neste domingo que a polícia prendeu 14 pessoas que teriam vandalizado a porta do prédio colonial.
Boa parte dos milhares de manifestantes lamentaram que a marcha noturna, convocada nas redes sociais e realizada pacificamente, tenha terminado em atos de vandalismo.
Desde que assumiu, o presidente vem tentando deslocar a atenção nacional para sua agenda reformista, mas o crime de Iguala devolveu o México ao drama dos piores anos do combate contra o narcotráfico de seu predecessor Felipe Calderón.
Mais de 80 mil pessoas foram assassinadas no México, e outras 22 mil estão desaparecidas, desde que Calderón lançou o combate militar contra os cartéis, em 2006.