25/06/2003 - 7:00
Um grupo de 100 restaurantes paulistas está à frente dos seus concorrentes na qualidade e rapidez de atendimento aos seus clientes. Todos são parte de um fenômeno em ascensão no País: a descoberta por empresas de médio porte das vantagens do uso da tecnologia de comunicação sem fio, conhecida como wireless. Restaurantes, supermercados e outras companhias voltadas para a área de serviços estão colocando na mão de seus funcionários computadores de mão para a realização de tarefas. E melhor, por um custo em média de R$ 45 mil por projeto. ?Acabou a era na qual apenas os gigantes estavam na vanguarda da tecnologia?, afirma Cristina Palmaka, gerente de produtos da Hewlett-Packard Compaq. Essa realidade também está encantando os fornecedores de equipamentos que estão descobrindo um mercado potencial. A estimativa é de um universo de dois milhões de companhias que podem entrar de alguma forma no mundo wireless.
A HP, por exemplo, está estimulando restaurantes a utilizar os sistemas wireless. Um dos casos mais conhecidos é o restaurante japonês Nakombi, em São Paulo. No estabelecimento, os antigos blocos de anotação foram substituídos por iPaq?s, os computado-
res de mão da HP. Uma antena de curto alcance instalada no restaurante constrói toda a rede de comunicação. Para comple-
tar, o próprio garçom carrega uma impressora portátil para impri-
mir a conta. ?Investimos R$ 45 mil e recuperamos em cinco meses?, afirma Francisco Giaffone Neto, sócio-gerente do Nakombi. Nos bastidores dessa operação está a Tango Software House, uma empresa nacional que desenvolveu todo o sistema e agora parte
para a expansão internacional.
Fundada pelo argentino Gabriel Germinara e mais três sócios, a empresa fechou 2002 com um faturamento de R$ 1,4 milhão. Eles esperam ultrapassar os R$ 3 milhões este ano. Uma meta que já está quase cumprida porque a Tango acaba de colocar o pé nos Estados Unidos. O contrato com um revendedor da Flórida prevê vendas de US$ 6 milhões nos próximos dois anos. Com a rede wireless, a Tango garante que um restaurante pode aumentar em até 20% o movimento, graças à rapidez do atendimento. ?Ela também aumenta o consumo de sobremesas na hora do almoço, porque sobra um pouco mais de tempo para o cliente?, explica Germinara. Para um restaurante de médio porte, com cerca de 40 mesas, a rede wireless pode custar em torno de R$ 25 mil. A interface do computador de mão é simples, para facilitar o treinamento dos garçons. O sistema agora será adaptado para hotéis, cassinos, cruzeiros e até hospitais.
Uma significativa parte dos institutos de pesquisa indica que 2003 será o ano do wireless. Todos os números caminham neste sentido. Os especialistas acreditam na ampla adoção dessa tecnologia por empresas, em especial as companhias de países emergentes como Brasil, Índia e China. A taxa de crescimento de todos os negócios
em torno dessa tecnologia deve chegar a 30% ao ano. Os investimentos em pesquisas também estão sendo direcionados
para esse caminho. Grandes marcas mundiais, como a IBM e a
Intel, estão desenvolvendo produtos para atender a demanda.
A Intel reservou US$ 150 milhões para apostar em companhias
que desenvolvem produtos baseados em wireless.