06/04/2001 - 7:00
Na semana passada, mais um nome forte de tecnologia perdeu a órbita e despencou da atmosfera. A Globalstar, último expoente da telefonia móvel por satélite, declarou que pode pedir concordata caso não consiga uma nova injeção de capital ou não seja bem sucedida nas conversas com credores. Capaz de fazer chamadas em qualquer latitude e longitude do planeta, o serviço não provou ainda que pode ser um negócio viável. A empresa americana amargou um prejuízo de US$ 3,8 bilhões no ano passado e anunciou que não deve gerar renda suficiente em 2001 para continuar operando por mais tempo. Ao longo do ano de 2000, as ações, comercializadas pela Nasdaq, despencaram 96%. No setor, até mesmo a Teledesic, que contou com o empurrão de Bill Gates, está adiando o lançamento das suas operações de 2004 para 2005. ?A bolsa perdeu a confiança nas companhias que trabalham com um risco alto?, lamenta Pedro Maisonnave, presidente da Globalstar no Brasil. A exemplo do que ocorreu com a PSINet, os papéis podem parar de ser transacionados caso continuem a ser cotados abaixo de um dólar. A torcida dentro da Globalstar é para que ela consiga reeditar o sucesso obtido pela sua concorrente Iridium na Justiça. A pioneira em telefonia móvel por satélite pediu concordata em 1999 mas escapou da falência em novembro do ano passado, quando foi adquirida pela Iridium Satellite por US$ 25 milhões ? um preço bem abaixo dos US$ 5 bilhões investidos no projeto.
Globalstar e Iridium sofreram com a concorrência das operadoras de telefonia celular. Quando foram criadas há mais de sete anos, muitas delas sequer existiam. Com a privatização das telecomunicações, elas se multiplicaram e passaram a oferecer produtos mais baratos. Um aparelho da Iridium, por exemplo, sai por US$ 3 500. O público-alvo, composto por homens de negócios, correu para os aparelhos convencionais e o serviço passou a ser interessante apenas para os que precisam se comunicar em locais remotos. Hoje, a grande maioria dos 7.500 assinantes brasileiros da Globalstar trabalha com a agroindústria ou tem sítios distantes. O total é quase nada se comparado aos mais de 3 milhões de usuários da Telesp Celular.
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