O mercado de tecnologia no Brasil vive um paradoxo: enquanto a demanda por inovação acelera, a escassez de mão de obra qualificada atinge níveis sem precedentes. Segundo o estudo inédito “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, desenvolvido pela Ford em parceria com o Datafolha, a quase totalidade das médias e grandes empresas no País (98%) relata dificuldades no preenchimento de vagas na área.

Nesse cenário de busca por especialistas, o LinkedIn consolidou-se como o canal preferencial e indispensável. Para 60% dos líderes de RH e TI entrevistados, a rede social profissional é a principal ferramenta para encontrar candidatos qualificados. O uso da plataforma supera drasticamente outros métodos tradicionais, como indicações (16%) e bancos de talentos internos (15%).

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“O descompasso entre a velocidade da inovação e a disponibilidade de profissionais qualificados é um dos grandes desafios do mercado hoje”, apontou Pamela Paiffer, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da Ford América do Sul

O estudo foi realizado pelo Datafolha por meio de 250 entrevistas online com profissionais de RH e TI

Barreiras técnicas e comportamentais

A pesquisa revela que a dificuldade de recrutamento reflete-se diretamente no tempo de espera: apenas 14% das empresas conseguem concluir uma contratação em menos de um mês. Por outro lado, 36% das organizações levam mais de dois meses para fechar uma posição.

Os principais gargalos técnicos identificados pelos gestores são a falta de conhecimento técnico específico (72%) e a ausência de experiência prévia (54%). No entanto, a qualificação técnica isolada não garante o emprego: 37% das empresas admitem desclassificar candidatos tecnicamente competentes que não demonstram habilidades comportamentais, as chamadas soft skills. Entre as mais escassas estão a inteligência emocional (36%) e o pensamento crítico (33%).

O impacto do idioma e o futuro com IA

O domínio do inglês continua sendo um filtro rigoroso. O estudo aponta que 78% das empresas desclassificam candidatos que não possuem proficiência no idioma. Olhando para o futuro, 46% das organizações acreditam que a Inteligência Artificial será o principal motor de mudança no mercado nos próximos dois anos.