20/05/2015 - 20:37
A Petrobras recorreu mais uma vez a recursos chineses. O Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês) concluiu acordo de financiamento de US$ 3 bilhões para equipamentos marítimos. No dia anterior, na quarta-feira, 19, a chinesa Cexim havia liberado US$ 2 bilhões que serão gastos em projetos da estatal e, em abril, a petroleira já havia conseguido US$ 5 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China. Ao todo, a Petrobras conseguiu US$ 10 bilhões com bancos chineses em pouco mais de um mês.
O último acordo, fechado com o ICBC, foi anunciado pelo banco. A Petrobras, até o fechamento dessa edição, não confirmou o contrato. Mas, o financiamento está de acordo com a estratégia financeira anunciada recentemente pelo diretor de Finanças da companhia, Ivan Monteiro, de buscar fontes alternativas de acesso a recursos, como os asiáticos.
Mesmo recorrendo a bancos chineses, a petroleira ainda poderá emitir novos títulos no exterior ainda neste ano, disse o Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, após acompanhar a comitiva do primeiro ministro chinês, Li Keqiang ao Rio. Sobre o financiamento chinês, Braga afirmou que “é mais um passo na reestruturação da Petrobras”. E complementou: “isso não impede, não inviabiliza que haja novas emissões de títulos neste ano. A companhia é que avalia e que vai decidir se fará”.
O primeiro ministro chinês, Li Keqiang, classificou os acordos assinados entre o Brasil e a China, entre eles o que envolve a Petrobras, como uma “cooperação entre dois gigantes”. Segundo ele, a parceria e os equipamentos de infraestrutura chineses permitirão ao Brasil “avançar mais rapidamente”.
Também presente ao evento, o presidente da mineradora Vale e do conselho de administração da Petrobras, Murilo Ferreira, “que o País está atento às oportunidades que vêm da Ásia”. Ele também defendeu o fim do caráter político da estatal e disse que o perfil dos conselheiros da petroleira o impressionou muito. Ferreira presidiu a primeira reunião do colegiado na última sexta-feira, 15, quando foi apreciado o balanço financeiro da companhia.
Além dele, o grupo passou a ser formado por outros sete integrantes, entre indicados pela União, acionista majoritária, acionistas minoritários e empregados. Os únicos remanescentes do conselho anterior são o presidente da companhia, Aldemir Bendine, e o presidente do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.
Durante o conselho, foi aprovada a formação dois novos comitês de assessoramento, liderados por membros do colegiado, que passarão a acompanhar de perto o dia a dia da empresa: de Finanças e Estratégia. Ferreira se dispôs a comandar o comitê estratégico e ainda prometeu repetir na Petrobras práticas adotadas na Vale.