A chinesa Sinopec completou nesta terça-feira sua entrada na Repsol Brasil, depois que os acionistas da filial brasileira da primeira petroleira espanhola aprovaram a ampliação de capital de 7,111 bilhões de dólares acertada em outubro passado e assinada pelo gigante chinês do setor.

“A junta de acionistas da Repsol Brasil aprovou hoje (terça-feira), no Rio de Janeiro, a ampliação de capital de 7,111 bilhões de dólares, subscrita em sua totalidade pela Sinopec”, informou a Repsol em comunicado.

A decisão está relacionada à conclusão do acordo a que chegaram a Repsol e a Sinopec em 1o. e outubro passado para a venda ao gigante chinês de 40% da filial brasileira da primeira petroleira espanhola, através de uma ampliação de capital da Repsol Brasil.

“Depois de completada esta operação, a Repsol mantém 60% das ações da Repsol Brasil e a Sinopec os 40% restantes”, segundo a mesma fonte, precisando que a relação de forças se refletirá também no conselho de administração da companhia, formado por dez membros e que será presidido por Nemesio Fernández-Cuesta, diretor-geral da Upstream da Repsol YPF.

A venda para a Sinopec representará para a Repsol uma mais-valia de 3,757 bilhões de dólares, segundo a companhia espanhola, detalhando que a venda de 40% da Repsol Brasil por 7,111 bilhões de dólares pressupõe valorizar a companhia em 17,8 bilhões de dólares.

“Com esta operação, concluída num breve espaço de tempo, criamos uma das maiores companhias energéticas da América Latina em um dos países com maior pujança econômica do mundo”, afirmou o presidente da Repsol, Antonio Brufau, citado no comunicado.

Os fundos desta operação “asseguram os investimentos necessários para o desenvolvimento dos ativos no offshore brasileiro, que inclui alguns das maiores descobertas do mundo, como as obtidas nos blocos de Guará e Carioca”, diante do litoral paulista.

A companhia espanhola cifrou as reservas petrolíferas em águas profundas de Guará, que opera dentro de um consórcio junto à Petrobras e a britânica British Gas, entre 1,1 e 2 bilhões de barris recuperáveis.

Segundo declarações de Brufau, “a Baía de Santos (onde se encontram os dois blocos) tem um potencial e cerca de 30 anos”.

“Este acordo marca um importante passo no desenvolvimento da estratégia exploratória da Repsol e evidencia nossa acertada aposta no Brasil, junto com um grande sócio industrial como a Sinopec”, acrescentou Brufau.

Ambas as companhias enfatizaram sua intenção de “desenvolver conjuntamente os atuais negócios de exploração e produção no Brasil, concordando com os meios necessários e compartilhando de determinadas decisões estratégicas sobre políticas operacionais e financeiras”.

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