04/04/2011 - 0:49
Os preços do petróleo atingiram um novo teto nesta segunda-feira em Nova York, onde o barril ganhou 53 centavos, a 108,47 dólares no fechamento, enquanto em Londres superaram os 120 dólares pela primeira vez desde agosto de 2008, diante do aprofundamento da crise na Líbia.
No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (designação de “light sweet crude” negociado nos EUA) para entrega em maio fechou em 108,47 dólares, em alta de 53 centavos em relação à sexta-feira.
No pregão, alcançou 108,78 dólares, seu nível mais alto desde setembro de 2008.
No Intercontinental Exchange de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte ganhava 2,47 dólares, a 121,17 dólares às 18h45 GMT, depois de superar a barreira dos 120 dólares pela primeira vez desde 22 de agosto de 2008.
“É difícil imaginar um cenário propício para uma reversão do mercado”, comentou John Kilduff, da Again Capital.
Os confrontos continuaram durante o fim de semana na Líbia entre rebeldes e forças leais a Muamar Kadhafi e na segunda-feira concentravam-se no porto petroleiro de Brega, no leste do país.
A Líbia exportava 1,3 milhão de barris diários de petróleo antes da crise (mais de 1,5% do consumo mundial), em grande parte para a Europa. Os preços do Brent (referência europeia) são, como consequência, mais sensíveis à situação no país árabe que os do mercado americano, onde as reservas mantiveram-se em níveis muito elevados.
“Com a continuação dos confrontos, o mercado toma consciência de que a oferta proveniente da Líbia não vai estar disponível”, estimou Matt Smith, da Summit Energy.
No restante do mundo árabe, “o Iêmen constitui uma ameaça importante, devido à sua proximidade com a Arábia Saudita”, o maior produtor da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), completou o analista.
“No Bahrein, a situação acalmou-se um pouco, mas novos confrontos podem fazer os preços subirem”, lembrou.
Por outro lado, no Gabão, uma greve de trabalhadores do setor petroleiro provocou a interrupção da quase totalidade da produção de petróleo do país (entre 220.000 e 240.000 barris diários).
Apesar desta quantidade não ser muito importante “na situação atual, não se pode permitir uma nova ruptura, cada barril é importante”, considerou Kilduff.
gmo/ved/gde/lb