O Morgan Stanley, uma das principais instituições financeiras globais, revisou para cima suas projeções para os preços do petróleo Brent, estimando que o barril possa atingir uma média de US$ 90 em 2026. A análise da instituição indica que recentes desdobramentos geopolíticos e a limitada capacidade ociosa no Oriente Médio devem manter o petróleo elevado por mais tempo, reorientando o mercado global.

Esse cenário impulsiona regiões consideradas mais seguras, como a América do Sul, a negociar seus barris com prêmio, e sinaliza um possível crescimento dos estoques estratégicos globais. A expectativa é de que o mercado ainda não precifique plenamente esse cenário de “petróleo mais alto por mais tempo”.

O que aconteceu

  • O Morgan Stanley projeta petróleo elevado por mais tempo, com Brent a US$ 90/barril em 2026, devido a fatores geopolíticos e oferta limitada no Oriente Médio.
  • A revisão das projeções eleva as estimativas de Ebitda de empresas de energia latino-americanas em até 23% para 2026 e 2027.
  • Apesar da valorização recente do setor, o banco vê o mercado subestimar a tendência e destaca Petrobras e Vista como as ações mais promissoras.

Diante dessa perspectiva, o banco revisou suas estimativas para o Brent, trabalhando com preços médios de US$ 90 por barril em 2026, US$ 80 em 2027 e US$ 75 em 2028. Essas novas projeções representam aumentos significativos em relação às estimativas anteriores, sustentando uma elevação nas estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) das empresas de energia da América Latina. O Ebitda esperado é de alta de 23% em 2026 e 2027, e de 17% em 2028.

Segundo o Morgan Stanley, o mercado global e regional, apesar da forte valorização recente do setor, ainda não incorpora totalmente um cenário de petróleo “mais alto por mais tempo”. A expectativa é de uma nova rodada de revisões positivas de estimativas, o que pode manter as ações do setor com avaliações atrativas e uma assimetria positiva de risco-retorno.

Análise de empresas do setor

Ao analisar empresas específicas, o Morgan Stanley elevou a recomendação da argentina YPF de equalweight (exposição em linha com a média do mercado, equivalente à neutra) para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra). O preço-alvo para o ativo negociado na bolsa americana foi fixado em US$ 60.

A casa destaca que a elevação dos preços do petróleo deve permitir que a companhia gere fluxo de caixa livre já em 2026, dois anos antes do previsto inicialmente. Esse adiantamento na geração de caixa livre é visto como um fator que reduz riscos e melhora a atratividade do papel no mercado.

Por outro lado, a PRIO (PRIO3), empresa brasileira, foi rebaixada de overweight para equalweight. Curiosamente, essa decisão ocorre apesar da elevação do preço-alvo, que passou de R$ 58,50 para R$ 68 por ação. O rebaixamento reflete principalmente questões de valuation, após uma valorização de cerca de 85% nos últimos três meses, período em que o papel já incorporou ganhos operacionais, a evolução do campo de Wahoo e expectativas de maior remuneração aos acionistas.

Quais empresas se destacam?

Entre os nomes preferidos pelo Morgan Stanley para capturar o cenário de petróleo elevado, destacam-se a Petrobras (PETR4) e a argentina Vista. No caso da estatal brasileira, o banco aponta que sua posição líquida exportadora de cerca de 1 milhão de barris por dia é um diferencial competitivo.

Mesmo diante das incertezas sobre o reajuste dos preços de combustíveis no mercado doméstico, a expectativa é de que a geração adicional de caixa da Petrobras seja direcionada à redução de endividamento e a projetos de alto retorno. O banco não descarta a possibilidade de dividendos extraordinários até 2027.

Já a Vista é percebida como uma das empresas mais alavancadas à alta do Brent, com um portfólio praticamente 100% exposto ao petróleo e sem proteção via hedge. Além disso, a companhia apresenta um forte crescimento projetado de produção nos próximos anos, o que a torna particularmente sensível às flutuações do preço do barril.

O Morgan Stanley também ressalta que companhias com grande parte da produção protegida por hedge, como Brava Energia (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3), tendem a ter menor apelo para investidores no atual contexto. Os contratos de hedge, embora garantam estabilidade, limitam a capacidade dessas empresas de capturar a alta dos preços no mercado à vista.

TGS e Ecopetrol seguem como as menos preferidas na cobertura do banco, devido à menor exposição direta ao petróleo e a desafios específicos relacionados a crescimento e governança corporativa.

Resumo das recomendações e preços-alvo

EmpresaTickerRecomendação anteriorNova recomendaçãoPreço-alvo anteriorPreço-alvo novoMoeda
PetrobrasPBROW*OW20,028,0Dólar
Vista EnergyVISTOWOW74,088,0Dólar
YPFYPFEWOW47,060,0Dólar
BravaBRAV3OWOW23,028,0Real
PRIOPRIO3OWEW58,568,0Real
Pampa EnergíaPAMEWEW94,0105,0Dólar
PetroReconcavoRECV3EWEW13,014,5Real
TGSTGSUW*UW28,031,0Dólar
EcopetrolECUWUW10,013,0Dólar

*OW = Overweight; EW = Equalweight; ***UW = Underweight

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